Título: Reforma ministerial provoca divisões entre petistas em festa partidária
Autor: Paulo Emílio e Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 21/03/2005, Política, p. A8

A festa dos 25 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), acontecida sábado, no Recife, foi palco para a cúpula do partido reafirmar à militância a necessidade de se reduzir o espaço petista no governo para construir um governo de coalizão que colabore para a reeleição de Lula. O encontro foi carregado de tensão, já que Recife é o reduto do ministro da Saúde, Humberto Costa, cotado para sair. "A coalizão é necessária. Temos o desafio de reeleger nosso projeto", disse o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Dirceu, " o PT tem que organizar uma aliança mais ampla para cumprir os objetivos do governo. O PP nos deu apoio sem participar . Em qualquer país do mundo isso é irreal . A face da reforma ministerial será mais ampla que se feita apenas com partidos de esquerda, já que é esta é a realidade política que o povo brasileiro elegeu para o Congresso ", disse. As mudanças no primeiro escalão que Lula deve anunciar nesta semana, talvez até quarta-feira, podem ampliar o contencioso do governo com as forças de esquerda. Presente no encontro do Recife, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, expôs as divergências. "O PT tem que ser reforçado no governo e não perder mais espaço", disse Luizianne. Exatamente no momento em que o PT acaba de celebrar seus 25 anos, Lula deve colocar na equipe forças de centro-direita, ligadas a políticos com perfil conservador. Pelo cenário especulado até o momento, o PT pode perder o controle dos ministérios de maior capilaridade e impacto social, como Saúde e Cidades. Embora Dirceu tenha falado na ampliação da aliança para 2006, o presidente do partido, José Genoino, disse que o foco da reforma ministerial não será eleitoral. "O governo tem uma agenda em 2005, que é consolidar bom momento da economia, avançar nos programas sociais, completar as reformas no Congresso. Não podemos fazer alianças sem termos objetivos claros", explicou o presidente do PT. Lula, segundo Genoino, vai exigir compromissos de todos os ministros, independente de nomes. "O presidente tem na cabeça que o governo dele tem que passar por um ajuste, e esse ajuste não vai desfigurar o programas nem a agenda. Eu defendo a aliança politizada. Os segmentos do centro e da direita terão que fechar com a agenda do governo", analisou. O PT permanece em compasso de espera sem saber se os ministros Humberto Costa e Olívio Dutra (Cidades) sobrevivem nos cargos. Tudo indica que não. Lula conversou com os dois, no fim de semana, na base aérea em Aracaju. Lula teria dito que pode precisar das pastas para acomodar aliados. Até mesmo o Ministério do Trabalho, pode ser retirado do PT. No caso de Costa, teria recebido do presidente a garantia de que ele será o candidato do PT ao governo de Pernambuco, na hipótese do partido ter candidatura própria, segundo afirmou o deputado Maurício Rands. A outra opção para o partido seria o prefeito do Recife, João Paulo. Ao discursar, o ministro demonstrou disposição de continuar no cargo. Atacou as "elites" mencionou a sua luta contra o prefeito do Rio , César Maia, pré-candidato à presidência pelo PFL e pregou a reeleição de Lula. A platéia em Recife o tratou como candidato a governador, aplaudindo-o de pé.