Título: Paulo Bernardo dividirá gerência com Dirceu
Autor: Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 23/03/2005, Política, p. A8
Ao ser convidado para assumir o ministério do Planejamento, o deputado Paulo Bernardo (PT-PR), recebeu a missão de tentar mudar a relação da pasta com a Casa Civil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu uma melhor parceria do Planejamento com a Casa Civil no controle da execução dos projetos prioritários do governo. "O presidente disse que queria evitar duplicidade de esforços", afirmou Paulo Bernardo na primeira entrevista, ainda no Palácio do Planalto, depois de receber o convite de Lula. "O presidente já sinalizou que está preocupado com uma gestão eficiente e em agilizar os projetos prioritários principalmente na área de transportes", declarou. Paulo Bernardo ouviu do presidente que, na segunda-feira, haverá uma reunião ministerial na qual serão reiteradas as prioridades do governo e haverá um pedido para que "as coisas continuem andando normalmente". Bernardo disse que as mudanças no primeiro escalão estão temporariamente suspensas. "O presidente me disse que, por hora, a reforma ministerial está encerrada e a partir de agora ele fará reuniões individuais com os ministros até domingo para preparar a reunião de segunda." Paulo Bernardo, que no ano passado foi presidente da Comissão Mista de Orçamento, disse que o governo precisa participar do debate para promover mudanças na forma como o Orçamento é analisado pelos parlamentares. "É necessário rediscutir todo o processo de votação do Orçamento da União", ressaltou. O novo ministro quer uma fórmula que termine com uma prática usual no Orçamento nos últimos anos: os recursos para investimentos são aumentados pela Comissão, como uma forma de incluir mais emendas parlamentares. Ao chegar no ministério, a liberação de recursos é lenta. " É preciso encontrar uma maneira de garantir a execução das emendas, mas também o Congresso não pode aprovar mais R$ 9 bilhões de investimentos como fez no ano passado", disse. Ontem pela manhã, Paulo Bernardo recebeu uma ligação do presidente para uma reunião no Palácio do Planalto. Ao chegar, recebeu o convite em um encontro de menos de meia hora. Na saída, ele próprio anunciou que seria ministro e disse que convidaria o interino, Nelson Machado, para permanecer como secretário executivo. A formalização da indicação de Paulo Bernardo para o ministério só veio uma hora depois, com uma nota divulgada pelo porta-voz da Presidência e secretário de imprensa, André Singer, na qual o presidente também agradece o "inestimável serviço" prestado por Nelson Machado e pelo senador Amir Lando na Previdência. Paulo Bernardo tomou posse junto com o novo ministro da Previdência, senador Romero Jucá, em uma solenidade simples e rápida na sala de audiências do Palácio na tarde de ontem. A cerimônia foi prestigiada por poucos assessores e alguns ministros e os jornalistas só puderam acompanhá-la em um circuito interno de TV. Nem o presidente Lula nem os novos ministros discursaram. Questionado sobre como recebia a nova missão, de chefiar um ministério que tem de fazer cortes no Orçamento, Paulo Bernardo respondeu: "Assumir o cargo não será nenhum sacrifício." Sobre o apoio do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para que ele fosse o ministro, avaliou : "Com certeza isso dá mais tranqüilidade."