Título: Chinaglia é o novo líder do governo na Câmara
Autor: Maria Lúcia Delgado e Henrique Gomes Batista
Fonte: Valor Econômico, 23/03/2005, Política, p. A10

Com o adiamento da reforma ministerial, o governo decidiu anunciar de última hora pelo menos uma mudança na articulação política para conter o quadro caótico na Câmara desde que Severino Cavalcanti chegou à presidência: nomeou como novo líder do governo na Casa o deputado petista Arlindo Chinaglia (SP), substituindo Professor Luizinho (SP). Até fevereiro, Chinaglia ocupava o posto de líder do PT. O petista assumiu propondo uma trégua com Severino. "Gostaria de lembrar ao presidente Severino Cavalcanti que sei do papel institucional de seu cargo e de suas virtudes, e que usarei isso para aturamos em conjunto, não apenas para o bem do governo, mas para o bem da Casa", disse Chinaglia no plenário ontem, após ser oficialmente indicado pelo Palácio do Planalto. Severino saudou o novo líder com um discurso de aproximação. "Lembro sempre que na presidência da Casa não tenho partido", afirmou. A nomeação, apesar de bem recebida , não resolverá os inúmeros problemas que o governo tem enfrentado em votações importantes. A avaliação dos aliados é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa recompor a credibilidade do ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, que sai desgastado do processo da reforma ministerial devido à pressão dos petistas que queriam retomar a pasta. "A primeira coisa que Lula terá que decidir é o papel de cada um na articulação política - do Aldo e do ministro José Dirceu. ", disse o líder do PSB na Câmara, Renato Casagrande (ES). Os parlamentares da base acreditam que Chinaglia tem um perfil mais conciliador que Professor Luizinho. Chinaglia tem um bom trânsito com quase todos os partidos e, no PT, pertence ao Movimento PT, uma corrente não tão alinhada com a Articulação, a mesma de Lula, mas longe de ser um segmento da esquerda radical petista. A missão do novo líder será mais árdua do que foi a missão de Luizinho. Além dos debates entre oposição e governo esquentarem com a aproximação de 2006, Chinaglia terá de trabalhar com Severino na presidência. Essa relação tende a ser tensa, assim como está sendo a relação do presidente da Câmara e de seu partido com o Palácio do Planalto. O governo sabe que a nova liderança é apenas o primeiro passo para recompor a base. Numa outra linha de ação, o presidente Lula decidiu tomar as rédeas do contato com partidos políticos aliados. A primeira atitude foi a aproximação com o PMDB oposicionista. Lula marcou para os próximos dias uma conversa com o ex-governador Orestes Quércia.