Título: Potencial de geração elétrica da região amazônica preocupa o Ibama
Autor: Leila Coimbra
Fonte: Valor Econômico, 23/03/2005, Especial, p. A16
Rondônia desponta como um dos principais pólos de geração de energia do país. Até agora esquecido no cenário energético nacional pela sua localização distante dos principais centros de consumo, o Estado tem capacidade de geração de pelo menos 17 mil megawatts (MW) oriundos de hidrelétricas, segundo estudos feitos por Furnas na região. O volume de energia que poderá ser produzido em Rondônia equivale a 18,62% de toda a capacidade instalada hoje no país que, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é de 91.288 MW. Os rios Ji-Paraná, Guaporé, Mamoré e Teles Pires, que ainda estão sendo inventariados, são os principais potenciais geradores de energia de Rondônia, além do Madeira. A região amazônica concentra 51% de todo o potencial hidrelétrico brasileiro, e onde, em 2000, apenas 5% do potencial hidrelétrico regional se encontrava em exploração. Todo este potencial, porém, tem sérias restrições ambientais. Para o diretor de licenciamento do Ibama, Nilvo Silva, "é óbvio que qualquer projeto na região, principalmente no caso do Projeto Madeira, de grande porte, tem grande impacto ambiental e precisa ser cuidadosamente avaliado". Silva explica que, além das usinas, o impacto ambiental das linhas de transmissão também tem que ser levado em consideração. "Como essas usinas estarão longe dos centros de consumo, exigirão extensas redes de transmissão, construídas em área de floresta". O complexo Madeira, com quatro hidrelétricas, terá capacidade de geração de 10.250 MW, sendo 7.950 MW para o Brasil e os 2.300 MW restantes para a Bolívia. Segundo o superintendente de geração de Furnas, Márcio Porto, os estudos foram feitos levando-se em consideração o menor impacto ambiental possível, com a utilização de turbinas tipo bulbo, que não precisam de queda d' água. Além disto, houve limitação dos níveis máximos dos reservatórios, que serão pouco superiores aos das cheias, sem formação de lagos. O projeto original, de maior aproveitamento energético, previa uma única usina no Brasil, com capacidade de 11 mil MW. Este projeto foi descartado em razão de seu alto impacto ambiental. Além disso, a concepção original não permitia a formação da hidrovia, essencial para o desenvolvimento econômico da região. Depois de vários estudos, chegou-se a atual formatação: a usina de Santo Antônio, com 3.150 MW (o projeto inicial previa 3.580 MW) e Jirau com 3.300 MW (pensou-se em 3.600 MW originalmente). Os investimentos previstos para a construção destas duas hidrelétricas é de US$ 4,5 bilhões, sem contar as linhas de transmissão. A usina binacional, provisoriamente chamada de Guajará, terá capacidade de produção de outros 3.000 MW e a hidrelétrica a ser construída no lado boliviano, batizada provisoriamente de Cachuela Esperanza terá capacidade de geração de 800 MW. Estas duas últimas ainda estão em estudo. Os estudos de viabilidade de Jirau foram concluídos em dezembro e os de Santo Antônio deverão ficar prontos em abril. O licenciamento prévio dos dois projetos é aguardado por técnicos de Furnas para até o fim deste ano, e a licença de instalação até meados de 2006. No próximo ano os projetos já poderiam ser levados a leilão de concessão. As primeiras unidades de geração poderiam começar a produzir energia em 2010, caso fossem leiloadas em 2006. Para o diretor de licenciamento do Ibama, no entanto, esse cronograma depende de determinação do Ministério de Minas e Energia de dar prioridade ao Projeto Madeira. "Por enquanto tenho outras usinas listadas como prioritárias pelo ministério. E Madeira não faz parte desta lista". O Ibama já fez audiências públicas para determinar um cronograma de atuação em Brasília e em Porto Velho. Em Janeiro de 2004 técnicos do órgão de licenciamento fizeram visita de vistoria ao local para subsidiar a elaboração dos Termos de Referência para os estudos ambientais das usinas do Madeira, cuja minuta foi disponibilizada para as empresas em abril de 2004.(LC)