Título: Hidrovia triplica movimentação de grãos e dá saída para o mar à Bolívia
Autor: Leila Coimbra
Fonte: Valor Econômico, 23/03/2005, Especial, p. A16

O complexo hidrelétrico do rio Madeira promete trazer o desenvolvimento à região por meio da hidrovia que será formada com a construção das usinas. Além disso, as usinas também têm um papel importante nas relações políticas entre o Brasil e seus vizinhos Peru e Bolívia. Dentro da atual estratégia de integração regional latino-americana adotada pelo governo Lula, o projeto permitiria o acesso ao oceano Atlântico e ao mercado europeu para a Bolívia e o Peru, por meio do hidrovia que cortará a selva amazônica. Por sua vez, o Brasil ficaria mais próximo de sua saída para o oceano Pacífico, e consequentemente dos mercados asiáticos. A hidrovia chegaria até o Peru e, de lá, seria possível alcançar o Pacífico por ferrovia ou rodovia. Isso reduziria em 1.500 milhas náuticas o percurso atual até a Ásia. Por meio da hidrovia, a capital Porto Velho poderá atrair toda a produção do Centro-Oeste de grãos para exportação. Hoje, o terminal portuário da cidade, no rio Madeira, movimenta por ano 2,3 milhões de toneladas de produtos, sendo a soja o principal deles, com 1,5 milhão de toneladas por ano. A movimentação de milho é a segunda maior, com 193,3 mil toneladas anuais. Esse volume pode dobrar ou triplicar a partir da criação da hidrovia. Além disso, haverá uma diversificação dos produtos que passarão pelo terminal de Porto Velho, que atualmente concentra a movimentação de grãos. O diretor de operações do da Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (SOPH), Arnaldo Cassol, diz que a expectativa é de absorver parte da produção agrícola do sul de Rondônia e do Mato Grosso, que hoje é escoada pelos portos do Sudeste, não só de soja, mas de diversos produtos. Para o prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), apesar do vetor de desenvolvimento, há a preocupação ambiental em torno da hidrovia. "Não podemos nos esquecer que o rio avança sobre a selva amazônica e o desenvolvimento agrícola significa o avanço da fronteira da soja para dentro da floresta. E isso traz sérias implicações ambientais". (LC)