Título: Vale pretende iniciar neste ano o projeto de níquel em Carajás
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 23/03/2005, Empresas &, p. B5
A Vale do Rio Doce pretende entrar este ano no negócio de níquel, uma área nova para a companhia. Roger Agnelli, presidente executivo da companhia, adiantou ao Valor durante entrevista para anunciar o lucro recorde de R$ 6,4 bilhões em 2004. Até abril será concluído o estudo de viabilidade do projeto de exploração do metal na jazida de Vermelho, em Carajás, no Pará. A produção média de níquel metálico prevista é de 40 mil toneladas ao ano. Ao preço médio projetado para o metal no futuro, no patamar de US$ 12 mil a tonelada, o negócio vai gerar receita anual da ordem de US$ 500 milhões. O projeto deve entrar em operação em 2007. José Lancaster, diretor da área de não ferrosos da Vale, disse que logo que seja concluído o estudo de viabilidade, em um mês, será levado à discussão da diretoria e do conselho de administração para receber nova avaliação. Lancaster prevê investimento acima dos US$ 700 milhões avaliados durante a fase de estudos de pré-viabilidade. O projeto é 100% da Vale e ele acredita que ele será tocado este ano. O níquel é insumo básico do aço inoxidável e tem um amplo consumo no mundo. O plano da Vale é produzir níquel metálico para exportação. No recente movimento de alta dos metais não ferrosos no mercado mundial, o preço do níquel foi um dos que mais subiu. Sua cotação mais do que dobrou em dois anos, quando estava cotado em US$ 7.445 na época que a Vale iniciou os estudos. Atualmente, na Bolsa de Metais de Londres, alcançou US$ 16 mil a tonelada. A Vale tem outro projeto de níquel, no Piauí ainda em fase preliminar de estudos, disse Lancaster. Na área de não ferrosos, que a Vale tem projeto de ampliar sua participação na receita para 15% até 2010, ante 2% em 2004, Agnelli contou que o projeto de cobre Sossego, que começou a operar em 2004, produziu 73 mil toneladas, com receita de US$ 200 milhões. Passará a operar à plena carga no segundo trimestre, no ritmo de 140 mil toneladas/ano. "Entramos neste mercado num momento de demanda forte e nos beneficiamos do preço", disse o executivo. Ele informou ainda que este ano serão desenvolvidos outros depósitos de cobre em Carajás. A companhia deve começar a explorar o depósito de 118, o de Salobo tem uma unidade protótipo e o de Cristalino terá estudo de viabilidade pronto em novembro. Em outro campo, a companhia busca negócios de carvão metalúrgico na Austrália. José Carlos Martins, diretor de participações, disse que a Vale está conversando com detentores de reservas do mineral, insumo para fabricação de aço. "Estamos negociando várias alternativas. Não tem licitação. É negociação com detentores das reservas. Estamos no meio das discussões e podemos acertar alguma joint-venture", disse. A Vale quer reservas de classe mundial em carvão. "Que tenha boa localização logística, que possa ser explorada e tenha um volume para 20 a 30 anos de exploração". Ele descartou conversas com a rival local BHP Billiton. Agnelli destacou que o foco da Vale continua no minério de ferro. Na segunda-feira, o conselho da empresa aprovou aumento de produção na mina de Carajás, para 100 milhões de toneladas até 2007. Em 2005, deverá produzir 85 milhões. Até 2010, a Vale pretende chegar à produção de 300 milhões de toneladas de ferro por ano.