Título: Gasto do BPB recebe críticas da oposição
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 23/03/2005, Finanças, p. C1

Senadores de oposição criticaram ontem, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, os altos investimentos feitos pelo Banco Popular do Brasil (BPB), subsidiária do Banco do Brasil, em marketing. Em 2004, essa despesa chegou a R$ 23,990 milhões, e foi o principal fator do prejuízo de R$ 25,589 milhões no exercício. "O investimento foi desproporcional à receita operacional, que foi de apenas R$ 700 mil", disse o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). "Não há sentido em gastar tanto para atingir um público específico e localizado." O presidente do BPB, Ivan Guimarães, justificou a despesa afirmando que, no primeiro ano de operação comercial, foi necessário um gasto elevado para fixar a marca. Ele disse que, considerando que o BPB atingiu um milhão de clientes no exercício de 2004, o custo de atração de cada cliente, de R$ 20, é relativamente baixo. Pelo plano de negócios, prosseguiu, aprovado pela diretoria colegiada do BB, o novo banco passara a ser lucrativo apenas em 2007. Para este ano, disse Guimarães, a tendência é que a despesa em marketing seja menor. Ele, entretanto, se negou a revelar aos senadores os números previstos. Disse, a princípio, que esse era um dado estratégico; mais tarde afirmou que o banco está fazendo uma pesquisa para medir os resultados da campanha do ano passado e, com base nesses dados, definir o orçamento de publicidade. Logo na abertura da sessão, alguns senadores se irritaram com a exibição de um vídeo institucional do BPB e, mais tarde, com a negativa de Guimarães em apresentar números do BPB deste início de ano, como as receitas operacionais. "O Banco do Brasil é uma empresa de capital aberto e estou impedido de abrir algumas informações, pelas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)", disse Guimarães. Em seguida, porém, abriu números aproximados das receitas operacionais em fevereiro, de cerca de R$ 3 milhões. O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) ironizou. "O senhor, há pouco, disse que estava impedido de revelar números. O senhor não tem medo de ser punido pela CVM?" Os senadores aprovaram nova convocação de Guimarães, em sessão secreta, dia 30 de março, para que o executivo forneça números do balanço e projeções de investimento em marketing.