Título: Grupo de Cairns tenta desbloquear agricultura
Autor: Raquel Landim
Fonte: Valor Econômico, 28/03/2005, Brasil, p. A2

A conferência de ministros do Grupo de Cairns, aliança de 17 países exportadores agrícolas, a partir desta quarta-feira em Cartagena (Colômbia), servirá como nova tentativa para se desbloquear a negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC). O grupo convidou o mediador da negociação agrícola, Tim Groser, o secretário de agricultura dos Estados Unidos, Mike Johanns, e a comissária européia Mariann Fisher Boel para irem a Cartagena, para um encontro à margem da conferência com seus principais membros: Brasil, Austrália, Argentina e Canadá. O Brasil será representado pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O impasse atual na negociação agrícola é sobre a metodologia para converter tarifas específicas (expressa em dólar por tonelada) em equivalente "ad valorem" (alíquota expressa em percentagem). Um acordo não foi possível no prazo previsto, na sessão especial há duas semanas, por causa de persistentes diferenças entre exportadores como o Brasil e Estados Unidos, de um lado, a União Européia e o G-10 (Japão, Suíça, Noruega e outros protecionistas) de outro. Segundo fontes americanas, 200 das mais de sete mil linhas tarifárias européias são particularmente problemáticas para serem convertidas em equivalentes ´´ad valorem´´, incluindo açúcar, tabaco, carnes, biscoitos, queijos etc. O Brasil tem especial interesse em 150 dessas linhas tarifárias. Até agora, os europeus tentaram usar seus próprios preços, às vezes três vezes menores que o preço mundial. O resultado é que, na conversão, a tarifa seria mais baixa e o corte tarifário menor - o que os exportadores não aceitam. Para analistas, uma solução passa por uma atitude "mais cooperativa" do G-10, grupo que estaria tornando a UE "mais intolerante". Sem conversão, os países não podem determinar qual percentual de corte será aplicado sobre uma tarifa específica. E não dá para se chegar a um eventual acordo sobre a formula para reduzir tarifas na importação de produtos agrícolas. O G-20, liderado pelo Brasil, divulgou comunicado alertando os países protecionistas contra o uso dessa "questão técnica" para tentar barganhar. "Uma pronta solução a essa questão é essencial para o progresso a ser feito nas negociações", concluiu. Em Cartagena, o Grupo de Cairns, liderado pela Austrália, reafirmará idênticas posições do G-20 contra subsídios e por amplos cortes de tarifas, mas não proporá data para a eliminação de subsídios à exportação (o G-20 defende prazo de cinco anos).