Título: Novas cédulas do real saem este ano
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 28/03/2005, Finanças, p. C3

A Casa da Moeda aguarda "sinal verde" do governo federal para lançar, ainda este ano, nova família de cédulas, ou a segunda geração de notas do real. A primeira está em circulação há dez anos, o que facilita a falsificação das notas, adiantou ao Valor o presidente da empresa pública, Manoel Severino dos Santos. A colocação das novas cédulas no mercado será gradual. O assunto está em exame no Banco Central, que deverá bater o martelo no negócio até abril. O tema das notas ainda não foi definido, mas a Casa da Moeda já está trabalhando na obtenção e domínio da tecnologia que vai nortear a feitura e impressão. O projeto visa, ao contrário da primeira família de notas do real, que foi feita meio que de afogadilho, adotar na impressão da segunda geração do real o que há de mais avançado em tecnologia de segurança para dificultar reprodução do papel moeda. No início do próximo mês segue para Lausanne, na Suíça, uma equipe de 11 técnicos para aprender a instalar um software com módulo de projetos de cédulas já comprado pela Casa da Moeda e estudar fundos de segurança gráfica. Hoje, com um parque industrial de 110 mil metros quadrados de área construída, a missão precípua da Casa da Moeda é fabricar cédulas, moedas, selos postais, fiscais e títulos da dívida pública, estabelecidos por lei. A empresa é rentável, mas seu presidente planeja aumentar seu faturamento dos atuais R$ 350 milhões para R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos. O Banco Central é seu principal cliente e responde por 60% da sua receita, já que o meio circulante do Brasil é o oitavo maior do mundo. Por ano são fabricadas 1,2 bilhão de cédulas por encomenda do BC. Santos pretende diversificar a clientela, pois acredita no potencial da empresa. Para isto, está elaborando um plano comercial, a ser operado a partir de maio, que prioriza a retomada forte das exportações de cédulas e moedas, produzidas no país pela Casa da Moeda, para países do Mercosul, do Pacto Andino e nações de língua portuguesa. As últimas exportações da Casa da Moeda foram para o Uruguai (20 milhões de moedas, em 1996), Equador (um milhão de cédulas, em 1999) e Bolívia (50 mil cadernetas de passaporte em 2001). Para concretizar o projeto, o executivo programa viagens para entrar em contato com os Bancos Centrais dos países vizinhos. "Vamos solicitar ao Itamaraty que incorpore a Casa da Moeda em seus acordos bilaterais. O importante para nós, nessa arrancada comercial, é definir qual é o nosso mercado". Ele contou que a Casa da Moeda detém a tecnologia da produção de cédulas e moedas, mas para produzir o papel moeda tem de adquirir o papel fiduciário e a tinta de duas empresas: a francesa Arjo-Wiggins, localizada em Salto (SP), fornece o papel; e a Sicpa, empresa de capital suíço, instalada no distrito industrial de Santa Cruz (RJ), fabrica a tinta. No mercado doméstico, Santos pretende atuar agressivamente no nicho de produtos de segurança como passaporte, cartão telefônico, carteira de identidade, carteira nacional de habilitação e notas de segurança. Esses produtos de segurança eram de monopólio da Casa da Moeda, a empresa mais antiga do país, fundada em 1694. Mas, atualmente, a empresa pública disputa esse mercado com três empresas, que são a American Bank Note (de capital americano), Interprint, nacional, e Moore, colombiana. "Pretendemos voltar a ser os únicos nesse mercado, pois produtos impressos de segurança devem ser de responsabilidade e exclusividade do Estado", defendeu o executivo. Para ele, o governo devia definir esta questão em Congresso. Para disputar esse mercado, a Casa da Moeda se prepara para lançar novo produto. Trata-se da nova caderneta de passaporte para o brasileiro. "O novo passaporte estará no ar em janeiro de 2006", adiantou Santos. O projeto é em parceria com o Serpro. Já foram feitos investimentos de R$ 5 milhões no novo documento, que vai seguir as exigências internacionais, devendo conter dados biográficos e biométricos em sistema. "Vamos dotar o Brasil de um passaporte mais avançado e mais seguro."