Título: Desemprego e ocupação formal sobem
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 24/03/2005, Brasil, p. A4
A taxa de desemprego subiu 0,4 ponto percentual em fevereiro ante janeiro, atingindo 10,6%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, divulgada ontem. Apesar da elevação, ela confirma a tendência de aumento do emprego com carteira assinada. Em fevereiro, a ocupação formal subiu 1,2% ante janeiro e 5,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em fevereiro, a participação dos empregados formais na população ocupada do país chegou a 40,4%, o maior percentual desde fevereiro de 2003. A pesquisa revela, porém, que o ganho desses trabalhadores não seguiu a mesma trajetória virtuosa. Mesmo tendo aumentado 1,2% sobre janeiro, o rendimento médio real dos empregados com carteira sofreu queda de 1,4% na comparação anual, atingindo o valor médio de R$ 946,50 , o mais baixo dos últimos quatro anos.
O fenômeno não indica tendência, realçou Cimar Azeredo Pereira, responsável pela PME do IBGE. "O quadro não é muito favorável após a alta dos juros, mas o que está acontecendo são oscilações no rendimento médio de acordo com a conjuntura econômica. Mas, na margem, a renda dá sinais de recuperação, depois de ter chegado ao fundo do poço em 2003. Porém, ainda não retomamos o patamar de 2002", reconheceu. Para Pereira, a perda de poder aquisitivo dos empregados formais em relação ao mesmo mês de 2004, reflete as novas contratações, a maioria com remunerações mais baixas que a de anos anteriores. O ganho dos sem carteira e por conta própria, ao contrário, subiu 8% e 1,6%, respectivamente, em relação a fevereiro de 2004. A alta pode ser explicado pela redução do contingente de subocupados por conta da retomada da economia. "Quando se reduz o volume de proventos abaixo do mínimo, que puxam a média do rendimento para baixo, a média dos rendimentos dos sem carteira e por conta própria cresce", ensina Pereira. Ele contou que a pesquisa de fevereiro detectou uma saída de pessoas que engordaram o mercado informal nos meses recessivos de 2003. A PME informa que os empregados sem carteira encolheram para 15,7% sua presença na população ocupada (decrescendo 3,5% ante janeiro e 5,7% ante fevereiro de 2004). Os por conta própria diminuíram 3,3% ante 2004. Para Marcelo de Ávila, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a grande notícia da PME é a consolidação do movimento de retomada do emprego formal. "Com mais emprego com carteira e menos emprego de má qualidade o rendimento médio tende a aumentar e o mercado de trabalho vai melhorar", pressagia. O economista chamou a atenção para o fato de que o número de trabalhadores sub-remunerados vem declinando desde o ano passado. "No segundo semestre de 2003, a maioria absoluta das vagas criadas eram de subocupações com rendimento abaixo do mínimo. A quase totalidade das 730 mil vagas criadas no segundo semestre daquele ano (725 mil) eram de má qualidade. Agora a situação está melhorando. Não é só na indústria que o emprego formal está crescendo. Em fevereiro, foram criadas no setor de serviços prestados 218 mil vagas criadas no mercado formal, na comparação anual. A indústria gerou 129 mil". Nesse ritmo, a massa salarial já aumentou em termos efetivos 6,9% em janeiro ante o mesmo período do ano passado (rendimento real efetivo vezes o número de ocupados), chegando a R$ 18,4 bilhões, o segundo maior número da série histórica. O primeiro maior foi em dezembro de 2004 (R$ 22,3 bilhões, mas atípico sazonalmente). "Tudo indica que este movimento vai continuar em 2005".