Título: Presidente do IRB vê abertura gradual
Autor: Janes Rocha
Fonte: Valor Econômico, 24/03/2005, Finanças, p. C8

A abertura do mercado de resseguros brasileiro deve ser gradual, por tipo e volume de negócios e percentuais de participação que devem ser cedidos às empresas privadas pela atual detentora do monopólio, a estatal IRB Brasil Re. Além disso, contratos de interesse do Estado, como os resseguros das usinas nucleares, do crédito à exportação e os agrícolas, devem ser mantidos em poder do IRB. Essas devem ser algumas das diretrizes do anteprojeto de lei que o Ministério da Fazenda está preparando para encaminhar ao Congresso nas próximas semanas para regulamentar a abertura do mercado de resseguros do país, na opinião do novo presidente da estatal Luiz Appolonio Neto. Appolonio , que teve ontem seu nome confirmado para o cargo, preferiu não antecipar qual seria o prazo para a "abertura gradual" mas frisou que "não há intenção nenhuma do governo em tornar o IRB inviável". Ao contrário, diz ele, o objetivo é fortalecer a estatal para a concorrência com as grandes resseguradoras estrangeiras no cenário de mercado aberto. Advogado, 56 anos, brasileiro, casado, pai de três filhos, Appolonio está no IRB desde julho de 2003, primeiro como diretor de Planejamento e Desenvolvimento e, a partir de janeiro passado, como diretor de Riscos e Sinistros. Em sua carreira profissional, passou pelas estatais Sabesp e Comgás (hoje privada) e exerceu cargos no Banco do Brasil, Ministério da Fazenda, Ministério da Agricultura e Secretaria de Planejamento da Presidência da República. Primo do deputado Delfim Netto (PP-SP) por parte de pai, Appolonio disse em entrevista ao Valor que sua missão é preparar o IRB para a abertura. Como já afirmaram membros do governo federal, a abertura é um compromisso assumido pelo governo brasileiro nas negociações para ampliação do espaço dos produtos brasileiros exportados para a União Européia, sede das duas maiores resseguradoras do mundo (a alemã Munich Re e a suiça Swiss Re) entre outras gigantes do seguro e resseguro, que exigem maior participação no mercado brasileiro. Os preparativos já haviam começado em 2004, com o ex-presidente Lidio Duarte, que conduziu uma reorganização da estrutura do IRB com o objetivo de dar agilidade e eficiência operacional. No início do ano, foi feita uma junção das áreas comercial e de subscrição para reduzir o tempo de conclusão dos contratos solicitados pelas seguradoras, adotado o sistema colegiado e de comitês consultivo, de investimentos e de segurança, com a participação de membros indicados pelas seguradoras, e também comitês internos com poder de decisão. Appolonio destacou a implantação de um novo sistema, batizado de SIM, para integrar em uma única plataforma via internet todo o processamento de negócios de resseguros que passam pela estatal. Segundo ele, o SIM dará mais "segurança e agilidade" ao mesmo nível das empresas privadas. Coube ao novo presidente a divulgação do balanço de 2004 do IRB Brasil Re, que apresentou um dos melhores resultados de sua história, com um lucro líquido de R$ 432,655 milhões, 32% superior ao de 2003. O faturamento em prêmios emitidos atingiu R$ 2,853 bilhões, praticamente o mesmo valor de 2003. Segundo Appolonio, o resultado reflete uma política de maior retenção dos seguros junto à empresa (a maior parte dos resseguros é repassada ao exterior), combinado a uma contenção de despesas.