Título: Grupo espanhol revê plano estratégico de controladas no Brasil
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 30/03/2005, Empresas &, p. B1

A Ceg e a Ceg-Rio, distribuidoras de gás do Rio de Janeiro e interior do Estado, vão investir R$ 818,7 milhões até 2007, dos quais R$ 340 milhões só neste ano. Daniel López Jordá, presidente das duas empresas, relatou ao Valor que o plano estratégico das duas companhias revisou para cima o programa de investimento para o período 2002-2007. O novo valor passa para R$ 1,5 bilhão - R$ 300 milhões a mais que o plano anterior. Um dos motivos da mudança é o atendimento das metas de universalização de gás estipuladas com o governo do Estado do Rio, informou Jordá. O projeto prevê levar até 2008 gás natural aos 37 municípios mais importantes do Rio, que representam 90% da população fluminense. Hoje, 27 cidades já são abastecidas. "A construção de alguns gasodutos acabou puxando para cima nossos investimentos. Além disso, fomos conservadores nas projeções iniciais", disse Jordá. Principal executivo no Brasil do grupo espanhol Gas Natural, controlador de Ceg e Ceg Rio, Jordá afirmou que a maior parte dos investimentos para 2005 - R$ 260 milhões - será destinada à Ceg. A empresa aplicará 22% dos recursos na conversão do gás manufaturado para gás natural em residências, 9,6% na recuperação de redes antigas e o restante na expansão da malha de gasodutos para suprir a maior demanda no município do Rio, devido à ampliação da sua base de clientes. A Ceg fechou 2004 com 668 mil clientes. A meta para 2007 é de 858 mil. Este ano, a Ceg prevê concluir as obras do gasoduto São Gonçalo- Niterói, de R$ 100 milhões, que terá 220 quilômetros de extensão e suprirá a cidade de Niterói. Em 2004, a empresa finalizou o trecho Guapimirim-São Gonçalo, que teve custo de R$ 50 milhões. Já a Ceg-Rio receberá investimentos da ordem de R$ 80 milhões, praticamente o dobro do aplicado em 2004, de R$ 51,6 milhões. A maior parte será destinada ao aumento da rede de distribuição. Em 2004, levou o insumo para várias cidades, entre elas Petrópolis, Macaé, Barra Mansa e Arraial do Cabo e planeja até o fim de 2005 chegar a outras, como Teresópolis e Nova Friburgo, ao construir de mais três gasodutos. Inicialmente, a empresa abastecerá as cidades de Três Rios e Nova Friburgo com gás natural comprimido (GNC). Segundo Jordá, a Feema, órgão de meio ambiente, deve autorizar nos próximos dois meses o início da construção do gasoduto que levará gás de Paraíba do Sul a Três Rios. A idéia é concluir o trecho até Paraíba do Sul ainda este ano e chegar a Três Rios, em 2006. Já o gasoduto que entre Guapimirim a Teresópolis, que deveria ter sido iniciado em 2004, está atrasado por falta de licença ambiental. A Ceg ainda estuda a construção de mais dois gasodutos: um para levar gás de Cachoeiras de Macacu a Nova Friburgo e outro para Resende e Itatiaia. Segundo o executivo, a expansão da rede de distribuição precisa de suporte de financiamento, uma vez que o lucro das companhias tem sido menor que os investimentos. Em 2004, o resultado líquido das duas companhias totalizou R$ 109,6 milhões. Os investimentos somaram R$ 317,3 milhões. Parte do dinheiro para os gasodutos já tem empréstimos do BNDES, cujo braço de participações (BNDESPar) tem 34,5% do capital da Ceg. O restante virá de recursos próprios e de bancos. A Ceg lucrou R$ 73,8 milhões, em 2004, 1,2% a menos que no ano anterior. Segundo Jordá, o resultado foi influenciado pela recuperação de créditos fiscais de PIS e Cofins em 2003. A Ceg-Rio lucrou R$ 35,8 milhões - 52,3% a mais.