Título: Pequenas empresas querem acesso mais fácil a crédito
Autor: Raquel Landim e Sergio Lamucci
Fonte: Valor Econômico, 29/03/2005, Brasil, p. A7

Apesar de serem uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as pequenas e médias empresas ainda enfrentam uma série de dificuldades, concluíram especialistas, funcionários do governo e empresários reunidos ontem em São Paulo no seminário "O futuro das pequenas e médias empresas no Brasil", promovido pelo Valor, com patrocínio do BNDES e do Ministério do Desenvolvimento. O acesso ao crédito melhorou um pouco, mas ainda está muito longe do ideal, segundo especialistas. A carga tributária também atrapalha bastante, apesar de iniciativas interessantes como o Simples. O excesso de burocracia é outro obstáculo para a vida dessas empresas, o que torna imperativo a adoção de medidas que simplifiquem normas e procedimentos. O diretor titular do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, Milton Bogus, ressaltou a importância estratégica desse segmento para a economia, uma vez que empregam 67% da mão-de-obra. Mesmo assim, o apoio ao segmento é insuficiente, afirmou ele, ressaltando que o acesso ao crédito é difícil, o peso dos impostos é elevado e, para piorar, a economia brasileira é muito instável. Além disso, muitas dessas companhias têm problemas de gestão. Bogus apontou várias medidas para melhorar a vida das pequenas e médias empresas, como medidas de desburocratização, com um cadastro único nacional e redução dos prazos de abertura e fechamento de empresas, apoio tecnológico e convênios com instituição financeiras que facilitem o acesso ao financiamento. Ele também considera fundamental apoio aos arranjos produtivos locais, que têm ganhado espaço principalmente em atividades ligadas à exportação. Apesar de responderem por apenas 2,4% do valor embarcado pelo país, as micro e pequenas empresas já representam 47,9% dos exportadores brasileiros, indica relatório do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os APLs começam a dar resultados. Há exemplos bem-sucedidos de empresas se associando em busca do mercado exterior em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul (metalmecânico), Goiânia (confecção), Franca, no interior de São Paulo (caçados) e Salvador, na Bahia (plástico). Para a consultora e ex-ministra da Indústria e Comércio, Dorothéa Werneck, as empresas precisar tomar a decisão "estratégica" de exportar e o governo precisa ter o "bom senso" de manter o dólar entre R$ 2,75 e R$ 2,85. O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mário Mugnaini, afirmou que enxerga oportunidades para as pequenas e médias empresas brasileiras exportarem máquina e equipamentos, calçados e couro, móveis, entre outros produtos. Ele também ressaltou que há mercados bastante promissores. Exemplo: o Brasil aumentou as exportações para a Venezuela em 141,8% no ano passado, para US$ 1,465 bilhão, e para a Argélia em 126,7%, para US$ 349 milhões.