Título: O maior impacto no menor tempo
Autor: Anamaria Schindler
Fonte: Valor Econômico, 29/03/2005, Empresas &, p. B2

Muito tem se falado de impacto social como medida de sucesso de organizações sociais. Especialmente para os empreendedores sociais, este tema têm maior relevância para as inovações por eles geradas. Cada vez mais doadores e investidores sociais esperam que os empreendedores sociais gerem impacto social. E medem seu sucesso e os investimentos que farão com base no impacto. Universidades de vários países, estudiosos do tema e empreendedores sociais estão discutindo sobre o que se considera impacto e as maneiras de se gerá-lo. O impacto social passou a ser um critério de sustentabilidade. Do ponto de vista financeiro, a organização social deve gerar impacto para captar recursos. Do ponto de vista da sustentabilidade da sociedade, o impacto social garantirá as mudanças sociais necessárias à sua melhoria. Ao analisar inovações sociais, um grupo de professores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, pergunta como os empreendedores sociais podem efetivamente expandir seu impacto para que um maior número de pessoas e comunidades possível possa se beneficiar de suas inovações? Uma das conclusões é que modelos sociais inovadores podem ser replicáveis. Porém, são muito lentos para alcançar impacto social. Isto provoca um dilema para as organizações, uma vez que sua sustentabilidade está atrelada ao fator tempo. Deve-se atingir o maior impacto social no menor tempo possível. Muitas vezes, isto é uma exigência externa, outras é um fator crítico de sobrevivência de uma comunidade ou de solução para um problema social. Nas análises sobre impacto social, vamos ver que algumas inovações sociais se expandem como modelos organizacionais. Outras em forma de expansão de programas. Finalmente, algumas inovações sociais se expandem através de princípios. Pode-se replicar um modelo organizacional, outras vezes multiplicar partes bem sucedidas, ou ainda replicar as idéias centrais do modelo. Isto acontece através da disseminação, provendo informações e assistência técnica aos que estão levando o projeto para sua comunidade. Pode-se ainda estabelecer a formação e afiliação à redes comprometidas com expandir uma idéia ou modelo. A outra possibilidade é a criação de filiais locais através de uma organização central. É curioso ver que nas análises sobre impacto social, pouco ou quase nada se fala de influência em políticas públicas. As dimensões pública e política de expandir uma inovação social parecem não ser consideradas. No entanto, para os empreendedores sociais brasileiros este é um tema de importância crítica.

Modelo social bem sucedido pode virar política pública

Tornar um modelo social bem sucedido como política pública é a meta de muitos empreendedores sociais. Em recente seminário sobre influência em políticas públicas, realizado pela Ashoka e pela Fundação Avina, empreendedores e líderes sociais discutiram estratégias que incluem a replicação de experiências bem sucedidas, a formação de centros de referências, a prestação de serviços ao setor público, a participação em redes e fóruns sociais, o apoio ao governo na definição de políticas públicas e a influência em legislação. O seminário discutiu política pública como mecanismo para desenvolver liberdade, igualdade e solidariedade. Para tanto, é necessário criar autonomia e fortalecer grupos sociais como atores sociais e políticos, integrar os diferentes setores na elaboração de políticas e fortalecer a participação da sociedade civil para a possível influência em políticas públicas. Questões como a inclusão social, o respeito à diversidade, a inclusão digital ou a criação de alternativas de trabalho e geração de renda para a população pobre são temas que invadiram o espaço público nas últimas décadas. Se prestarmos atenção às soluções para problemas sociais apresentadas em políticas sociais, veremos que por trás delas sempre há um empreendedor social que iniciou um projeto, replicou e gerou um modelo para toda a sociedade. Exemplos disto são o Geledés, Instituto da Mulher Negra, fundado por Sueli Carneiro, que a mais de vinte anos trabalha pela inclusão social da mulher e do negro; ou o Comitê de Democratização da Informática (CDI), criado por Rodrigo Baggio, que levou a inclusão digital para o cenário público nacional; ou ainda o Instituto Avisa Lá, liderado por Silvia Carvalho, que ajudou a incluir as creches como parte do sistema público de educação. São pessoas como estas que criam as inovações sociais e podem influenciar as políticas públicas. Com garra e determinação, acreditam que podem melhorar a sociedade e trabalham toda a vida por isto. Sem dúvida é um dos mecanismos mais poderosos de geração de impacto social. Principalmente se estiver aliado às políticas sociais do país.