Título: DIs registram maiores ganhos na semana
Autor: Felipe Frisch
Fonte: Valor Econômico, 29/03/2005, EU &, p. D2
Na semana em que os fundos de ações tiveram perdas de 3,81% e os cambiais continuaram se desvalorizando, com queda de 0,84%, os fundos DI, que tentam acompanhar a taxa básica de juros (Selic), foram os que obtiveram a maior valorização. Entre os dias 16 e 23 de março, as carteiras que aplicam em títulos públicos pós-fixados registraram rentabilidade média de 0,34%. O ganho é, inclusive, superior ao 0,31% dos fundos de renda fixa prefixados. No ano, os DIs acumulam retorno de 3,69%, enquanto os renda fixa rendem 3,57%, segundo levantamento do site Fortuna. Em termos de captação, a categoria registra ingresso de R$ 5,428 bilhões no ano, até o dia 23. Somente na semana passada, R$ 776 milhões entraram nessas carteiras e R$ 1,875 bilhão no mês. Já os fundos de ações sofrem com a queda de 6,72% do Ibovespa no mês e perdem R$ 30 milhões, mas no ano captam R$ 87 milhões. A categoria, no entanto, tem se mostrado mais "resistente" à queda do Ibovespa. No ano, os fundos de ações rendem, em média, 0,76%, enquanto o índice sobe apenas 0,20%. Nem mesmo os fundos de privatização da Vale a da Petrobras escaparam. A categoria acumulou perda média de 2,09% na semana. No mês, a desvalorização das cotas chega a 6,92%. No ano, depois de chegar a 15,54%, a rentabilidade retrocedeu a 10,82%. Os números do Fortuna mostram ainda a migração de recursos dos fundos multimercados para a renda fixa. Os mistos perderam R$ 138 milhões, enquanto os renda fixa receberam R$ 153 milhões, apenas na semana passada. No ano, os resgates dos multimercados já foram de R$ 19,230 bilhões, frente a uma entrada de R$ 18,543 bilhões na renda fixa. A categoria dos multimercados chegou a ter um quarto (25,51%) dos recursos aplicados em fundos no fim do ano passado, perdendo apenas para a liderança de 33,33% dos renda fixa na época. Atualmente, os multimercados têm 21,26% das aplicações e ocupam a terceira fatia. A renda fixa aumentou seu pedaço para 36,01% e os DI possuem hoje 21,66%, pouco mais do que os 20,89% de dezembro. Os fundos têm até quinta-feira, 31, para publicar seus ajustes à Instrução 409, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Pela nova regra, apenas os renda fixa, curto prazo e referenciados (DI e de índices de preços) podem continuar usando a cota de abertura - a primeira do dia - para calcular quanto o investidor levará para casa em caso de saque. Nas demais categorias, apenas a cota de fechamento poderá ser usada. A mudança visa evitar que investidores "operem" a cota do fundo. Muitos dos multimercados já tinham como seus principais ativos títulos públicos. Os ajustes à instrução estariam gerando distorção nos números do setor todo, com uma captação "artificial" de R$ 10,443 bilhões no ano, decorrente de dinheiro que entrou em novos fundos, mas que ainda não foi computado como saída dos fundos originais que serão encerrados, diz Marcelo D'Agosto, do Fortuna. Além desses ajustes, Aguinaldo Fonseca, superintendente de renda fixa do Itaú, acha natural que os investidores comecem a procurar fundos de títulos prefixados, com remuneração acertada na compra. Isso por causa da expectativa de que ao menos a constante elevação dos juros esteja perto de ser interrompida. Apesar de o mercado já estar contando com a queda dos juros, ainda há um "prêmio" para quem apostar na renda fixa pré, diz o executivo. "O mercado está prevendo duas altas de 0,25% ainda no primeiro semestre e quedas mais à frente, mas, se essa alta não se confirmar, o ganho da renda fixa pode aparecer antes ainda da redução dos juros." Essa possibilidade ainda não é, no entanto, motivo para migração imediata de quem estiver num fundo DI. "O investidor do DI já está ganhando, mesmo ficando quieto dados os altos juros atuais", diz. No ano, os fundos DI acumulam rentabilidade de 3,69%.