Título: Nos EUA, área de soja deve crescer e a de milho recuar
Autor: Mônica Scaramuzzo
Fonte: Valor Econômico, 01/04/2005, Agronegócios, p. B10
Independentemente dos movimentos dos fundos de investimentos nos mercados internacionais de commodities agrícolas, relatório divulgado ontem (dia 31) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre intenções de plantio naquele país em 2005/06 trouxe mudanças que tendem a influenciar as cotações externas de soja, milho, trigo e algodão nos próximos meses. O órgão também divulgou relatório de estoques de grãos nos EUA, outro indicador acompanhado de perto pelo mercado. No caso da soja, a área plantada foi estimada em 29,9 milhões de hectares, 1,7% menos que em 2004/05, que rendeu aos americanos uma safra recorde de 85 milhões de toneladas. "Muitos crêem que a redução de área pode chegar a 5%, por conta da incidência do fungo da ferrugem nos EUA e de sua política de subsídios, mais favorável a outras culturas. Mas, mesmo com a área estimada pelo USDA, e levando-se em conta a produtividade média americana dos últimos cinco anos, a produção do país será menor, de cerca de 76 milhões de toneladas", disse Renato Sayeg, da Tetras Corretora No relatório dos estoques, O USDA apontou, em 31 de março, um volume maior que nesta mesma época de 2004, mas menor do que esperavam os traders. "Os estoques finais americanos na safra 2004/05 deverão ficar em 11,6 milhões de toneladas, e há uma tendência de modesta retração para 2005/06, dependendo do clima", observou Flávio França, da Safras & Mercado, em seminário promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio (ABMR&A). Os dois indicadores americanos - área e estoque trimestral - chegaram a motivar forte elevação de preços na bolsa de Chicago, mas um movimento de realização de lucros na segunda metade da sessão fez as cotações fecharem em baixa. Os contratos para julho caíram 10 centavos de dólar por bushel, para US$ 6,36. No caso do milho, ao contrário, a área estimada pelo USDA (32,9 milhões de hectares) para 2005/06 é 0,6% maior que a de 2004/05, mas ficou abaixo das expectativas. Já os estoques em 1º de março, 28,1% superiores aos do mesmo período de 2004, superaram a média das previsões do mercado. "Com esta área, há potencial para os EUA superarem a marca de 300 milhões de toneladas na próxima safra, dependendo das condições climáticas", disse Paulo Molinari, da Safras. A curva das cotações em Chicago foi mais ou menos a mesma da soja, mas o bushel do milho para julho ainda manteve pequena alta (0,75 centavo de dólar) e encerrou o dia a US$ 2,21. A área total de trigo prevista pelo USDA para os EUA em 2005/06 (23,7 milhões de hectares) superou 2004/05 e as expectativas do mercado. Os estoques trimestrais, porém, estão menores que em 2004 e ficaram abaixo das previsões. Mas as cotações acompanharam a "ascenção e queda" de soja e milho e fecharam em baixa. Já a área projetada de algodão nos EUA (5,6 milhões de hectares) superou em 1,1% a de 2004/05, mas ficou abaixo do que esperavam os traders . Os preços em Nova York fecharam sem direção definida.