Título: Têxteis investirão US$ 200 milhões para chegar aos EUA
Autor: Vanessa Adachi e Carolina Mandl
Fonte: Valor Econômico, 04/04/2005, Empresas &, p. B4

As três maiores fabricantes de tecidos de algodão do país, Coteminas, Vicunha Têxtil e Santista Têxtil, têm planos avançados para instalar fábricas na América Central, países andinos e México, envolvendo investimentos superiores a US$ 200 milhões. Pretendem buscar no exterior as condições de produção que não vêm no Brasil hoje para acessar de forma competitiva o mercado consumidor americano. A decisão não é simples. E os empresários contam seus planos sem esconder que, no fundo, gostariam que o governo avançasse na negociação de acordos comerciais e reduzisse a carga tributária, de forma a mudar a equação que hoje favorece a produção fora do país. "Preferíamos produzir no Brasil e gerar empregos localmente", diz Ricardo Steinbruch, presidente da Vicunha. Mas o que está em jogo é a conquista de espaço em um mercado que movimenta US$ 400 bilhões ao ano em comércio internacional. "Temos que nos posicionar globalmente", completa Steinbruch. A Vicunha tem dois projetos que envolvem investimento total de US$ 100 milhões. Um deles contempla a instalação de uma fábrica de tecidos, com capacidade para 2 milhões de metros por mês. "Também poderemos instalar uma confecção junto dessa fábrica", diz o empresário. A fábrica e a confecção gerariam 9 mil empregos. O outro projeto é de uma malharia, à qual estarão acopladas uma tinturaria e uma confecção. Neste caso, serão cerca de 1.500 empregos na fase inicial. "Temos equipamentos novos ociosos aqui no Brasil, que pretendemos transferir para outro país", diz Steinbruch. A capacidade da malharia é para 300 toneladas por mês, no início. No caso da Coteminas, a idéia é construir uma fábrica de fiação, malharia, tinturaria e acabamento com capacidade para cerca de 20 mil toneladas por ano. Isso equivale a 16% da produção da empresa no ano passado, diz Josué Christiano Gomes da Silva, presidente da Coteminas, sem revelar o valor do investimento necessário. Tanto Coteminas quanto Vicunha ainda não decidiram para onde irão. Aguardam que o Congresso americano prorrogue o acordo com os países do Pacto Andino e aprove o acordo comercial com os países do Caribe. "Sem esses acordos não seria vantajoso produzir fora do Brasil", afirma Gomes da Silva. A Santista Têxtil analisa três regiões onde poderia instalar sua terceira fábrica fora do Brasil: América Central, México e Colômbia são os alvos da fabricante de índigo. Na América Central seria construída uma nova fábrica, com investimentos de US$ 80 milhões para a produção de 30 milhões de metros lineares de tecido, equivalente a 27% de sua produção atual. Já no México e na Colômbia, a empresa vem dando preferência a analisar indústrias já existentes para fazer uma aquisição ou uma fusão. Os dois países já contam com acordos comerciais com os Estados Unidos. "Esses dois países já tem fábricas erguidas. Dessa forma iniciaríamos a produção muito mais rapidamente do que se formos construir um nova indústria", diz Herbert Schmid. A Inexmoda, entidade que promove a indústria têxtil colombiana, afirma que tanto Santista quanto Vicunha já demonstraram interesse em negociar com a Colômbia para instalar-se no país. A decisão de ter a terceira fábrica no exterior já foi aprovada pelo grupo Camargo Corrêa, controlador da Santista, segundo Schmid. "Essa decisão já está 100% tomada. No curto prazo, o Brasil não terá vantagens em relação a esses outros países", afirma o presidente.