Título: Eletrobrás espera autorização para captar US$ 450 milhões no Exterior
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 06/04/2005, Brasil, p. A2
A Eletrobrás anunciou ontem que está aguardando apenas a autorização do Tesouro Nacional para realizar duas captações no mercado internacional no valor total de US$ 450 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão), ainda neste primeiro semestre. A primeira operação, no valor de US$ 300 milhões, será na forma de emissão de bônus e a segunda, no valor de US$ 150 milhões, será na forma de um empréstimo sindicalizado. O diretor-financeiro da estatal, José Drumond Saraiva, disse que a maior parte do dinheiro captado será destinada ao pagamento de bônus com vencimento até julho deste ano, no valor total de R$ 864 milhões. O restante dos recursos será destinado a reforçar os investimento das empresas do grupo, fixados em R$ 4,2 bilhões para este ano. Originalmente, os investimentos somariam R$ 4,6 bilhões, mas foi realizado um corte de R$ 400 milhões, por determinação do governo, com o objetivo de ajudar no cumprimento das metas fiscais do país. Drumond disse que os cortes foram definidos em uma reunião realizada ontem. Segundo ele, foi encontrada uma solução para que nenhum investimento prioritário nas áreas de geração e de transmissão de energia fosse prejudicado. A Eletrobrás fez ontem, no Rio, uma apresentação dos seus resultados de 2004. Antes da apresentação, o presidente da estatal, Silas Rondeau, disse que, ao contrário da avaliação geral feita por analistas, a Eletrobrás considerou "bom" o resultado do leilão de energia para entrega em 2008, realizado no sábado, em São Paulo. Ele não vê nenhum risco de apagão por causa do resultado do leilão. "A Chesf vendeu 450 megawatts e está morrendo de feliz", disse. Segundo ele, o resultado, tanto em preço como em energia vendida, agradou a todas as empresas do grupo, incluindo Furnas Centrais Elétricas que não vendeu nada. Rondeau disse que a decisão de Furnas foi "estratégica" e decorreu da constatação, apenas dois dias antes, de que os 700 megawatts de energia argentina que lhe seriam fornecidos pela empresa Cien, do grupo espanhol Endesa, não estavam efetivamente disponíveis. "Não vendeu (Furnas) mas está bem posicionada para os próximos leilões", afirmou. De acordo com Rondeau, se for efetivamente constatado que a Cien não tem condições de disponibilizar a energia contratada, o contrato será desfeito. Na apresentação dos dados, a direção da Eletrobrás informou que o plano estratégico da empresa que está em elaboração prevê a intensificação das atividades do grupo no exterior, a exemplo do que vem fazendo a Petrobras.