Título: Pesquisa do Ibope em 140 cidades avalia a imagem da propaganda
Autor: Heloisa Magalhães
Fonte: Valor Econômico, 08/04/2005, Empresas &, p. B2

A propaganda brasileira é divertida, oferece belas imagens, texto com qualidade, humor, sensualidade e influencia não só na hora da compra como se torna tema de conversa. Entre 2 mil entrevistados em pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Propaganda (ABP) ao Ibope realizada em 140 municípios em todas as regiões do país, 84% reconheceram a influência das mensagens publicitárias em suas vidas, sendo que metade disse que influencia muito. Mas a pesquisa mostrou "um sinal de pequeno ruído na relação entre o brasileiro e a propaganda", disse o presidente da ABP, Armando Strozenberg. Entre os entrevistados, 34% responderam que a propaganda brasileira é ótima e boa, mas o percentual era 44% no última pesquisa realizada em 2002. Já 39% apontaram como regular (em 2002, eram 36%), 20% disseram ruim e péssima (14%) e 7% não sabem ou não opinaram. O consumidor está mais exigente e, também, atento às questões sociais. Segundo o Ibope, 92% dos entrevistados não sabiam dizer o que é o Conar (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária), mas 81% aproveitaram para cobrar dos políticos que sejam feitas prestações de conta durante todo o mandato e não só na época das eleições. Dos entrevistados, 92% consideraram as propagandas de utilidade pública muito importantes e 76% disseram ter muito ou algum efeito na sociedade. O tema que 63% apontaram como o que deveria ser mais abordado nas campanhas é o combate às drogas. Mas na última pesquisa promovida pela ABP, era o que preocupava 71% dos entrevistados. No ano passado o tema que cresceu foi o combate à prostituição: 53% disseram que deve ser combatida, enquanto que na pesquisa anterior o percentual era 36%. Para Strozenberg ficou claro o diálogo entre mídia e propaganda. Ele lembrou que o tema prostituição esteve muito presente na mídia em 2004, o que chamou atenção da população. A pesquisa mostrou que em 2004, o perfil da propaganda brasileira veiculada retratou o comportamento da economia. Um total de 65% do espaço publicitário foi voltado para o varejo reduzindo as campanhas institucionais, em torno de marcas e lançamento de produtos. Já 2003 foi um ano difícil de vendas o que continuou acontecendo em boa parte do ano passado. "As mensagens foram menos emocionais, prevaleceu o momento do país", lembrou o presidente da ABP. Entre os entrevistados, 66% responderam que têm mais vontade de comprar se a propaganda é boa, mas um percentual menor (48%) dos abordados disseram que na hora da compra preferem a marca cuja propaganda já viram. Um total de 63% respondeu que se diverte vendo propaganda e 65% disseram que conversam sobre algumas delas com amigos e familiares. As restrições à propaganda são pouco conhecidas, 75% não sabem que estão proibidos os anúncios de cigarros. E embora 19% tenham mencionado a proibição de propaganda de bebidas alcóolicas, 53% não sabem qual tipo de restrição existe. As frases mais lembradas são: "fumar causa câncer no pulmão (mencionada por 85% dos entrevistados); "se dirigir não beba, se beber não dirija (82%). Já "aprecie com moderação" que em 2002 foi lembrada por 33% dos participantes desta vez atingiu 60%. A ABP realiza a pesquisa para avaliar a imagem da propaganda brasileira, detectar o que mais chama atenção do consumidor, o que gera rejeição, além da percepção da responsabilidade social da propaganda e influência no comportamento. A pesquisa foi realizada junto a pessoas com idade superior a 16 anos, de ambos os sexos, das classes AB, C e DE, em setembro de 2004.