Título: Após perder liderança, montadora ganha novo fôlego para a retomada de projetos
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 08/04/2005, Empresas &, p. B9
A nova injeção de recursos liberada pela matriz ontem chega no momento em que o mercado já começa a sentir a falta de um grande projeto para a renovação da linha de automóveis Fiat no Brasil. O sinal verde certamente fará a filial brasileira desengavetar muitas idéias. O carro-chefe da linha Fiat é a família Palio, lançada em 1996. Há pouco mais de um ano, em novembro de 2003, todas as versões dessa família foram renovadas. As mudanças agradaram ao consumidor, que manteve o carro entre os mais vendidos no país. Em 2004, o Palio foi o segundo carro mais vendido no Brasil. Mas as modificações não tiveram o mesmo impacto do lançamento do modelo, responsável pela trajetória de crescimento, que conduziu a montadora italiana à liderança do mercado brasileiro em 2002 e 2003. Ao mesmo tempo, a empresa sofreu a ação dos concorrentes. A Ford lançou o novo Fiesta. Recentemente a Volkswagen começou a produzir o Fox. De certa forma, a Volks seguiu a tendência inaugurada pela Fiat de produzir um modelo com a mão da engenharia brasileira que conquistou também outros outros países emergentes. Até mesmo o velho Mille, que lançou a motorização 1.0 no Brasil, tido como carro que agrada porque é barato, sofreu a concorrência do pequeno Celta. Há cinco anos, a General Motors construiu uma nova fábrica em Gravataí (RS) totalmente dedicada à produção desse novo carro "de entrada", como dizem os executivos da indústria automobilística quando se referem ao modelos dedicados à conquista do consumidor que compra o seu primeiro automóvel zero-quilômetro. Sem contar a ação das novas montadoras. Desde o lançamento da linha Palio, o brasileiro pode comparar os modelos das montadoras veteranas como a Fiat com Clio, da Renault e 206, da Peugeot. Com queda de participação de 25,27% para 23,55%, a Fiat perdeu o primeiro lugar no mercado brasileiro em 2004. Não se pode dizer que a Fiat não lançou carros novos nos últimos tempos. Mas as iniciativas se limitaram a segmentos de mercado. Nenhuma foi voltada a modelos de grande escala. Mais da metade dos automóveis vendidos no Brasil são básicos, como as linhas Gol e Palio. Na linha dos últimos lançamentos estão Stilo e o utilitário Dobló. No próximo semestre, a empresa começará a vender no Brasil o Idea, uma minivan, no estilo da Meriva, da General Motors, que também é produzida na Itália. Com 8 mil funcionários em Betim, a Fiat inventou a "mineirização", modelo de produção que leva os fornecedores para o lado da linha de montagem. Hoje, a Fiat está apta a produzir 2.300 carros por dia. A média efetiva está em 1.800.