Título: Direção da Daimler diz ter uma solução para Juiz de Fora
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 08/04/2005, Empresas &, p. B9

A DaimlerChrysler anunciou ontem a aprovação de um "conceito de produção" para a fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG). Embora não tenha fornecido detalhes da solução, a montadora garantiu que manterá a operação da unidade, apesar do fim da produção nacional do modelo Classe A e da suspensão do projeto Smart. O novo carro era a garantia da continuidade da produção na fábrica mineira. A decisão da montadora foi anunciada pouco depois da divulgação de uma entrevista do governador do Estado, Aécio Neves (PSDB), informando que o Estado estava trabalhando nos cálculos da indenização que deveria ser paga em caso de fechamento. O governador garantiu que o presidente Inácio Lula da Silva e o ministro Antônio Palocci já haviam sido envolvidos na negociação. O governador disse ainda que o Estado deveria ser ressarcido por uma eventual paralisação das atividades daquela fábrica. O prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani (PL), já havia dito durante a semana que pretende pedir na Justiça a devolução do terreno de 2,6 milhões de metros quadrados cedido pelo município para a instalação da fábrica. Já o Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora estima que até 200 trabalhadores de empresas que fornecem componentes para a unidade de Juiz de Fora serão demitidos, caso a decisão da montadora alemã seja de fechar a fábrica. O material divulgado pela companhia, entretanto, não revela detalhes da solução encontrada. Diz apenas que as explicações sobre o conceito de produção serão apresentadas oportunamente pela matriz, na Alemanha. A decisão também foi divulga na véspera da audiência pública que deverá ser realizada hoje pelos deputados estaduais de Minas Gerais. O objetivo da audiência é discutir os impactos sociais e econômicos da eventual desativação da fábrica. Foram convidados para audiência, além de diretores da DaimlerChrysler, o senador e ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), que, em sua gestão, concedeu benefícios ficais para a instalação da indústria na Zona da Mata mineira. Segundo levantamento dos deputados, o Estado ofereceu para a montadora aproximadamente R$ 2 bilhões em financiamentos e em infra-estrutura. A fábrica tem uma capacidade instalada para produção de 70 mil veículos por ano e emprega hoje 1,1 mil operários, que contam com estabilidade até fevereiro do próximo ano. O acordo firmado em 1997 com o governo de Minas prevê a manutenção de um nível mínimo de empregos e um prazo de 20 anos para que a indústria possa ser fechada sem penalidades financeiras.