Título: Associações criam fundo para financiar defesa animal
Autor: Mônica Scaramuzzo e Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 08/04/2005, Agronegócios, p. B14

Os principais gargalos apontados pelo governo e pela iniciativa privada para manter a competitividade do setor de carnes em 2005 e 2006 são as deficiências na defesa sanitária e a alta dos insumos, especialmente o milho. O diagnóstico foi feito durante o seminário "Perspectivas para o Agribusiness em 2005 e 2005", realizado quinta-feira em São Paulo. Em resposta ao contingenciamento dos recursos destinados à Defesa Agropecuária pelo Ministério da Agricultura, Abiec, Abipecs e Abef - associações que representam os exportadores de carnes bovina, suína e frangos, respectivamente - anunciaram, durante o evento, a formação da Organização de Apoio à Defesa Animal (OADA), uma sociedade civil que vai administrar um fundo, criado com doações do setor para auxiliar o governo no trabalho de inspeção sanitária. Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs, disse que a entidade vai funcionar à semelhança dos fundos de desenvolvimento da pecuária (Fundepecs), criados em parceria com as secretarias de agricultura para combater a aftosa nos Estados. O valor dos recursos arrecadados junto às indústrias ainda será definido pelas associações, segundo ele. "A OADA começou apoiada pelas entidades, e a intenção é que ela seja abraçada pelas indústrias em geral", afirmou Camargo Neto. Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura, disse que a parceria com o setor privado, discutida há meses, deve dar um fôlego ao trabalho de vigilância sanitária. "Precisamos que a defesa funcione plenamente e para isso é necessário um orçamento de R$ 250 milhões", observou. O recurso previsto para este ano era de R$ 137 milhões, mas como o contingenciamento do Orçamento definido pela União, a verba disponível caiu para R$ 37 milhões. Duarte Nogueira, secretário de Agricultura de São Paulo e presidente do Fórum de secretários, disse que os Estados têm dificuldades para receber recursos de defesa sanitária. Rodrigues disse que está negociando com o Ministério do Planejamento e a Casa Civil para recompor esses recursos no curto prazo. Ele observou que os problemas sanitários têm sido usados como principal argumento técnico para interromper o comércio de carnes do país. E disse que vai se reunir na próxima semana com o secretário da agricultura dos EUA para "desenvolver um programa de ações que iniba a suspensão das importações de carnes". Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, disse que o principal problema da pecuária brasileira ainda é a febre aftosa e, por conta da doença, 60% do mercado mundial se recusa a comprar a carne brasileira. Ele observou que a previsão de recuperação de preços não vai se confirmar em 2005 por conta da estiagem e da fraca demanda interna por carne bovina. "É possível que haja recuperação dos preços a partir de 2006", disse. Sergio de Zen, do Cepea/USP, observou que o custo de produção cresceu 10,5% em 2004, reduzindo a margem de rentabilidade em 12%, devido à alta nos custos de produção. Na área de aves e suínos, a maior preocupação é com a escassez de milho. Camargo Neto, da Abipecs, disse que o setor espera margem de lucro menor neste ano devido à alta dos insumos. A exportação, segundo ele, deve crescer 10% no ano, para 550 mil toneladas. Na área de frangos, Viviane Risseto, analista da LCA Consultoria, disse que a rentabilidade deve crescer em ritmo menor, de 2,9% sobre 2004, em função da queda nos preços internos e na alta dos custos. (CB)