Título: Avanço na produção de leite eleva venda da DeLaval
Autor: Mônica Scaramuzzo e Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 08/04/2005, Agronegócios, p. B14
O avanço da produção de leite no Brasil e o crescimento das exportações do produto, principalmente no último ano, elevaram as vendas da sueca DeLaval no país e devem continuar ampliando a receita da empresa este ano. Em 2004, a companhia, que produz ordenhadeiras mecânicas, tanques refrigeradores, softwares de gerenciamento da produção, entre outros, faturou R$ 64 milhões no Brasil. Do total, 17% foram provenientes de exportações a regiões como América Latina e Canadá. Para este ano, a meta é alcançar faturamento de R$ 73 milhões. Mas esse número pode ser superado, disse o presidente da filial brasileira, Fabiano Amaro, ontem encontro em Campinas. Uma das apostas para ampliar a receita é o lançamento de tanques refrigeradores para pequenos produtores, com capacidade de 300 litros. Até hoje, o menor tanque da DeLaval tinha capacidade de 500 litros. Segundo Amaro, o tanque, que pode armazenar leite por 48 horas, custa R$ 6.500 e pode ser financiado pelo Prodeagro, linha do BNDES, com juros anuais de 8,75%, e prazo de 36 meses. A DeLaval também oferece uma linha de financiamento com recursos próprios. Em 2004, foram 1,8 milhão de euros e este ano serão 4,2 milhões de euros. Ele informou que as vendas de tanques da DeLaval somam 5 mil a 5,5 mil unidades anuais (tanto de pequena quanto de grande capacidade) no país. Com o lançamento, a expectativa é de que cresçam de 10% a 15% no volume. Amaro disse que hoje 80% da produção brasileira de leite - de 23,5 bilhões de litros em 2004 - é granelizada, isto é, armazenada em tanques. Diferentemente de meados da década de 90, quando a Parmalat, por exemplo, chegou a adquirir 1.400 tanques, hoje as vendas ocorrem em volumes pequenos, e o foco são os produtores individualmente. Parte do avanço das vendas DeLaval também decorre da entrada em vigor da Instrução Normativa 51 do Ministério da Agricultura, que estabeleceu parâmetros para a qualidade do leite, segundo Amaro, estimulando o uso de equipamentos como tanques e ordenhadeiras. A filial brasileira responde por cerca de 9% do faturamento da matriz sueca, que foi de 710 milhões de euros em 2004. Mas a empresa vê potencial de crescimento no Brasil. "Brasil, Argentina e Chile devem ganhar espaço na produção de leite no mundo no futuro", disse o presidente mundial da DeLaval, Joakim Rosengrem. E esse crescimento significa investimento em equipamentos. Segundo ele, a América Latina é a região onde a DeLaval mais cresce, com uma taxa de 15% ao ano. Como país, o maior avanço da DeLaval acontece na "reemergente" Rússia, onde as vendas aumentaram 30%. Para Rosengrem, o previsto corte de subsídios na Europa deve reduzir as exportações de leite do bloco, beneficiando países como Brasil, Argentina e Nova Zelândia. Com fábrica em 20 países, a sueca DeLaval integra o grupo familiar TetraLaval, que fatura 8,77 bilhões de euros, e é dono da TetraPak e da Sidel.