Título: Para agências, o país ainda é arriscado
Autor: Tatiana Bautzer
Fonte: Valor Econômico, 11/04/2005, Finanças, p. C1
A recuperação da economia brasileira nos últimos três anos rendeu um manancial de elogios internacionais, mas ainda é insuficiente para garantir a classificação de "grau de investimento" pelas agências de classificação de risco de crédito. As três principais, Fitch, Standard & Poor's (S&P) e Moody's, afirmam que os números do país ainda precisam melhorar muito para isso ocorrer. Índices de solvência e grau de abertura da economia melhoraram, mas ainda estão longe dos parâmetros da Rússia e do México, que atingiram o grau de investimento recentemente ("BBB" ou acima, pela S&P). "Nós elevamos a classificação brasileira no ano passado porque vimos tendência de melhora. Mas o Brasil ainda é considerado especulativo porque o peso da dívida é grande", diz a diretora da S&P, Lisa Schineller. Pela S&P, a nota brasileira é "BB-". O grau de abertura das economias consideradas grau de investimento é muito mais alto. As exportações brasileiras representam 19% do PIB, um salto em relação aos 11% anteriores. Mas o país está longe da média de 45% do PIB dos países classificados como triplo B, ou dos 35% da Rússia e México. Outro fator-chave é a proporção entre juros e a receita do governo. O Brasil, com seus juros recordes, gasta 20% do que arrecada com juros. A média de países triplo B é de 5% a 6% (a Rússia paga 5% e o México, 11%). O índice mais citado é a relação entre dívida e PIB. Pelos critérios da S&P (diferentes dos usados pelo governo), o índice brasileiro é de 52% do PIB. Países com classificação triplo B têm endividamento médio de 30% do PIB. A Rússia tem dívida de apenas 15% do PIB e o México, 30%. A dívida externa é de 120% das exportações do Brasil (uma queda significativa em relação aos 300% anteriores), mas é quase dez vezes a média de 17% para países triplo B. Para a Rússia, esse percentual é de 16% e o do México, 30%. "A Rússia usou muito bem a receita adicional obtida com a alta dos preços nas exportações de petróleo", diz Schineller, da S&P. "A Rússia tornou-se um credor líquido internacional e há anos gera grandes superávits públicos", ressalta o diretor de rating soberano da Moody's, Vincent Truglia. O Brasil tem superávit primário acima de 4%, mas continua tendo déficit nominal após o pagamento de juros.