Título: Atividades são investigadas nos EUA
Autor: Janes Rocha
Fonte: Valor Econômico, 12/04/2005, Finanças, p. C8

No final do ano passado, o procurador geral do Estado de Nova York, Eliot Spitzer, investigou e denunciou todas as grandes corretoras e algumas das maiores seguradoras por práticas injustas e obscuras de comissionamento, em que ficou provado que as corretoras trabalhavam preferencialmente para as seguradoras que lhes pagavam comissões extras, em detrimento da melhor proposta para os clientes. A Marsh foi a primeira corretora apontada nas investigações de Spitzer, que acusou a empresa de enganar seus clientes, direcionando negócios para determinadas companhias e solicitando cotações fictícias para garantir que apólices de seguros seriam adquiridas de determinadas seguradoras, em acordos pré-combinados. Na investigação, a promotoria detectou práticas irregulares cometidas por executivos da Marsh, a partir da inspeção de 10 milhões de e-mails trocados dentro da empresa. Os executivos foram processados na Justiça. "É importante que se diga que nada do que fazíamos era ilegal", disse Thomaz Menezes, principal executivo da Marsh para a América Latina, referindo-se às comissões contingentes. Segundo ele, toda a prática de comissões constava dos balanços da matriz. No entanto, ele reconhece que faltou transparência, frisando que a Marsh já estava em entendimentos com uma entidade chamada Risk and Insurance Management Society (RIMS) para discutir uma abertura maior nas informações com clientes, fornecedores e seguradoras, antes de estourar o caso Spitzer. O caso foi encerrado com a Marsh concordando em pagar US$ 850 milhões para um fundo, em quatro parcelas anuais, para cobrir indenizações com clientes que tenham se sentido prejudicados pela política de comissões praticada pela corretora. Na sequência, a promotoria investigou e denunciou todas as grandes seguradoras e corretoras, provocando a queda de um dos mais importantes empresários do setor, Maurice "Hank" Greenberg, da gigante AIG. A Aon Corp., principal concorrente da Marsh, também foi investigada e acusada pela promotoria, e igualmente entrou em acordo com a Justiça para acabar com as práticas consideradas irregulares, que incluiu a formação de um fundo de US$ 190 milhões. (JR)