Título: Marsh vai atuar com mais transparência
Autor: Janes Rocha
Fonte: Valor Econômico, 12/04/2005, Finanças, p. C8
A Marsh Seguros, subsidiária brasileira da maior corretora de seguros do mundo, a Marsh MacLennan, está mudando a forma como negocia com seus clientes e seguradoras, como resultado do rumoroso processo judicial em que esteve envolvida nos EUA (veja matéria abaixo). O caso não teve tão grande repercussão no Brasil porque o mercado segurador brasileiro é um décimo do americano, mas houve mudanças importantes por aqui também, envolvendo não só a Marsh mas outras corretoras de riscos industriais. Em entrevista ao Valor, Thomaz Menezes, principal executivo da Marsh para a América Latina, disse que, a partir de agora, a corretora vai emitir em separado os contratos de seguros, comissões e "fees" por prestação de serviços - antes só o "fee" era especificado no mesmo contrato, a comissão não. Isso certamente vai aumentar a burocracia, disse Menezes, mas vai deixar mais claro o que e quanto ela cobra e quem paga. "Nós, corretores, desenvolvemos uma série de trabalhos pelos quais nem sempre somos remunerados pelo cliente, como a inspeção de riscos, o desenvolvimento de produtos e clausulados junto às seguradoras e também fazemos regulação de sinistros, atividades que estão fora do escopo do que somos pagos", afirmou o executivo. Segundo Menezes, a corretora passará a definir com mais precisão todas essas atividades: "Vamos estabelecer no contrato o que vamos fazer, quem vai fazer e quem vai pagar, seremos muito firmes com isso", afirmou. Ele diz que a empresa quer ter, a partir de agora, "maior entendimento em relação ao que é esperado de nós e qual o custo e a remuneração". Segundo Menezes, devido à forte concorrência, havia uma postura "um pouco servil" dos corretores, que acabava levando-os a prestarem serviços fora do contrato. Isso, segundo ele, vai acabar. Além disso, ele garantiu que seus clientes passarão a receber as propostas feitas pelas seguradoras - o que antes não acontecia porque a corretora intermediava tudo, o cliente nem via as propostas. A Marsh também está reformulando a segmentação de seus negócios, onde as soluções corporativas representam 52% do faturamento em receitas e prêmios, distribuídos entre seguros patrimoniais (31%), responsabilidades (garantias, executivos, automóveis, com 26%), transportes (17%), vida e saúde (26%). O foco principal da empresa passa a ser o de benefícios, afinidades e o de pequenas e médias empresas (que representam o restante do faturamento), em que Menezes afirma ter errado a mão até agora, tentando tratar os pequenos da mesma forma que trata os grandes. "Na área de 'middle market' não é só seguros, queremos ser um distribuidor de produtos e serviços", afirmou. E acrescentou que "todas as contas multinacionais e grandes riscos empresariais terão o mesmo tratamento, através de um único departamento e modelo de negócios". As empresas que contratam seguros em grandes contratos de "property" (propriedades, no jargão do mercado segurador, indicando os prédios, máquinas e equipamentos) estão exigindo maior transparência e clareza dos contratos depois que a promotoria do Estado de Nova York investigou e acusou as grandes corretoras e seguradoras americanas de práticas anticoncorrenciais, confirmam o vice-presidente da SulAmérica Seguros, Hélio Novaes, e o diretor da Superintendência de Seguros Privados (Susep), João Marcelo Máximo dos Santos. Denys Goldenberg, diretor da corretora Lazam MDS, uma joint venture dos grupos Sonae e Feffer, também disse que esta é uma tendência. "O caso nos EUA gerou uma imagem de que os clientes estavam sendo prejudicados", analisa Goldenberg. Segundo ele, os corretores de grandes riscos industriais foram levados a tomar uma atitude preventiva. A Lazam, cuja maior carteira é riscos industriais, está reformulando seus contratos para explicitar tudo o que se paga. "(As empresas) têm exigido uma transparência maior, estamos combinando com clientes e explicitando a remuneração", explicou o diretor da Lazam. Procurada pela reportagem do Valor, a Aon, segunda maior corretora de seguros do mundo e também investigada pela promotoria, informou, através de sua assessoria de imprensa, que o porta-voz autorizado a comentar o assunto não estava disponível.