Título: Brasil e UE discutem café, têxteis e pneus
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 14/04/2005, Brasil, p. A6

No primeiro dia da 11ª Reunião da Comissão Mista Brasil-União Européia, que acontece em Bruxelas, os dois parceiros examinaram, mas não resolveram, problemas no comércio de produtos como café, têxteis e pneus. O Brasil tem na UE seu principal parceiro comercial, com o qual obteve superávit de U$$ 8,2 bilhões no ano passado: exportou US$ 24,1 bilhões e importou US$ 15,9 bilhões. O perfil das exportações brasileiras para os 25 países membros da UE continua concentrado em produtos básicos (47% do total). Alguns problemas mais urgentes foram levantados ontem, entre eles a cota para o café solúvel brasileiro que termina em dezembro. O embaixador brasileiro na UE, José Alfredo Graça Lima, disse que o Brasil não fez advertência nem ameaça, mas uma constatação: se a cota livre de tarifa para o produto não for renovada no fim deste ano, voltará a ser discriminado no mercado europeu e isso poderá levar a um litígio na Organização Mundial do Comércio (OMC). A concessão de cota UE em 2003 ocorreu justamente para compensar a situação do café brasileiro, que pagava tarifa de 9%, enquanto seus concorrentes da Colômbia, Equador e outros países latino-americanos entram livres de tarifa. Mas ontem, os negociadores europeus não deram sinal de que a demanda brasileira será atendida e a expectativa é mesmo de que ela não será renovada. A UE, por sua vez, quer que seja acelerada a liberalização para entrada de seus produtos têxteis no Mercosul. O embaixador Graça Lima retrucou que isso depende da negociação entre a UE e o bloco do Cone Sul, que está bloqueada. Outro ponto polêmico é a proibição brasileira à importação de pneus usados ou reformados, em 2000, sob alegação de que causam danos ambientais. Os dois lados esperaram ontem em vão alguma proposta do parceiro para evitar um confronto na OMC. Desde o ano passado, Bruxelas ameaça denunciar o Brasil, argumentando que a OMC já definiu que pneu reciclado deve receber o mesmo tratamento de um produto novo no comércio internacional. (AM)