Título: Operadoras recuam e elevam subsídios
Autor: Talita Moreira e Taís Fuoco
Fonte: Valor Econômico, 25/04/2005, Empresas &, p. B4
Depois da calmaria nos primeiros meses do ano, a competição entre as operadoras de telefonia móvel voltou com força total em abril. As teles anteciparam as promoções do Dia das Mães - segunda data mais importante para o setor - e elevaram novamente os subsídios à venda de aparelhos com o objetivo de conquistar mais clientes. Num mercado em franca expansão, ninguém quer perder espaço para as rivais. A estratégia deverá ter impacto negativo na rentabilidade das operadoras no segundo trimestre, depois de uma recuperação no primeiro trimestre, observam analistas. Vivo e TIM divulgam nesta semana os balanços para o período de janeiro a março. "Tivemos um primeiro trimestre muito civilizado, com uma competição madura. Não estamos vendo a mesma situação no segundo trimestre", afirma o presidente da Brasil Telecom GSM, Ricardo Sacramento. Na quarta-feira da semana passada, o executivo participou de teleconferência para comentar o balanço da empresa. De acordo com Sacramento, a Brasil Telecom (BrT) tentou se manter fora da briga na primeira quinzena deste mês, mas reagiu para acompanhar a estratégia das concorrentes. A BrT não abre informações financeiras sobre a área de celulares, que entrou em atividade em outubro e já tem 1 milhão de assinantes. A Vivo tem sido a empresa mais agressiva na concessão de subsídios, afirma a analista Vera Rossi, do Morgan Stanley, num relatório divulgado na semana passada. De acordo com ela, a operadora está atacando principalmente o mercado de telefones mais baratos e pré-pagos. "Acreditamos que a Vivo esteja tentando recuperar a participação de mercado que perdeu nos dois primeiros meses de 2005", observa a analista no relatório. Por esse motivo, o Morgan Stanley baixou a recomendação para as ações da Telesp Celular e da Tele Centro Oeste Celular, que fazem parte do grupo Vivo. A operadora é controlada pela Telefónica Móviles e pela Portugal Telecom. A Vivo, adepta da tecnologia CDMA, é líder no mercado brasileiro. Porém, tem perdido terreno para as concorrentes, que usam o padrão GSM, mais barato. A empresa não deu entrevistas para falar sobre o assunto. Neste mês, as operadoras voltaram a oferecer celulares pré-pagos a R$ 99, preço igual ao cobrado nos planos de conta - algo que não se viu nem mesmo no superaquecido Natal de 2004. As teles vinham optando por concentrar um volume maior de subsídios nos aparelhos pós-pagos, num esforço para atrair clientes mais fiéis e rentáveis. Entre as promoções preparadas pelas operadoras para o Dia das Mães estão a concessão de R$ 600 em bônus na Claro, descontos nas ligações na Vivo e até um prêmio inédito de R$ 1 milhão em títulos de previdência privada na TIM. A mudança de comportamento das operadoras é, em parte, sazonal. O primeiro trimestre é tradicionalmente um período fraco para o setor, por conta das férias e da ausência de uma data comemorativa importante. Porém, levanta dúvidas sobre o discurso feito por todas as empresas no final do ano passado, segundo o qual não iriam mais buscar clientes a qualquer preço depois da brutal queda de margens que enfrentaram em 2004. Por conta dos subsídios, a venda de aparelhos gera prejuízo para as teles. Além disso, as empresas estão ampliando sua base de assinantes principalmente nas classes de baixa renda, que geram receita menor. Procuradas, as operadoras não quiseram se pronunciar. "A antecipação das promoções para abril acende uma preocupação. Os anúncios para o Dia das Mães estão bem mais agressivos do que se esperava", diz o analista Eduardo Roche, da Ágora Senior. Na avaliação dele, os subsídios deverão se manter elevados durante todo o segundo trimestre, pois em junho há o Dia dos Namorados, outro alvo das promoções das companhias. "Pode ser um balde de água fria para quem esperava uma recuperação maior nas margens." A opinião é compartilhada pela analista Luciana Leocádio, da BES Securities. "Elas (as operadoras) tinham um discurso unânime de que este ano seria mais focado em rentabilidade", diz. "Mas não é isso o que estamos vendo em abril", afirma. Nos três primeiros meses do ano, as operadoras conquistaram 3 milhões de clientes, o que mantém em 40% a taxa de crescimento desde março de 2004. Até agora, o ritmo está mais forte do que a expansão de 30% projetada pelas teles e pelos fabricantes de celulares para este ano. (*Do Valor Online, de São Paulo)