Título: Disputa judicial poderá arrastar-se por vários anos
Autor: Juliano Basile
Fonte: Valor Econômico, 28/04/2005, Empresas &, p. B7

O último veto do Cade contra a Nestlé foi bem recebido pelos interessados no negócio, mas com cautela pelos funcionários da companhia. Uma questão é unânime, no entanto, e preocupa a todos: a decisão da multinacional suíça de partir para a Justiça pode levar anos e, segundo fontes do mercado, deteriorar a marca Garoto ao final do processo. Em comunicado, a Nestlé divulgou que "em respeito ao Estado democrático de direito brasileiro analisará as possibilidades jurídicas para que seus argumentos possam ser avaliados à luz da legislação brasileira." No comunicado, a empresa também mencionou o plano de desinvestimento, proposto ao órgão, que reduziria a participação conjunta da Nestlé e Garoto de 48% para 38%, vendendo os 10% para um terceiro. A Masterfoods, do grupo Mars, publicou comunicado reafirmando seu interesse em adquirir a totalidade da Garoto. "Desde que seja para aquisição do portfólio da Garoto em sua integridade, incluindo fábricas, marcas, tecnologias e fórmulas, a Masterfoods está interessada e preparada para iniciar o processo de negociação imediatamente", disse a empresa. A companhia, que no Brasil possui 2,7% de participação de mercado com marcas como Twix, afirmou que adquirindo a Garoto vai transferir para Vila Velha o centro de comando e operações do seu negócio de chocolates no país. A Cadbury Adams não publicou comunicado sobre a decisão proferida ontem pelo Cade. No entanto, o presidente da companhia esteve no Brasil há menos de um mês acompanhado dos membros do conselho de administração e o interesse pela Garoto foi reforçado. A empresa não tem operações de chocolate no Brasil. Executivos das duas empresas estiveram com o prefeito de Vila Velha, Max Mauro Filho. "Espero que o sorriso largo que eles demonstraram aqui se materialize em investimento sólido na marca e na indústria", disse. "Esperamos um desfecho rápido e que a empresa não seja vendida em fatias." Segundo Linda Morais, presidente do Sindicato da Indústria da Alimentação no Espírito Santo, os funcionários continuam preocupados. "Não foi uma surpresa, o caso se arrasta há três anos", disse. "Seria melhor que outra empresa comprasse, desde que mantivesse o emprego e as fábricas, do que se a Nestlé fosse para a Justiça". Especialistas acreditam que será uma guerra de liminares. "Se for para a Justiça, a Nestlé ficará com a imagem muito arranhada", diz.