Título: Preços agrícolas caem e seguram IGP-M
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 29/04/2005, Brasil, p. A3
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, subiu 0,86% em abril, resultado praticamente idêntico ao registrado em março (0,85%). A variação dos preços no atacado, apurada pelo IPA, também ficou praticamente estável em relação ao mês anterior: alta de 0,96%, ante 0,94% em março. No varejo, os preços subiram mais. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,80%, depois de alta de 0,66% no mês passado. O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), que representa 10% do IGP-M, registrou variação de 0,38%, bem abaixo dos 0,71% verificados em março.
Para os analistas da Rosenberg Consultores, o resultado pode ser considerado positivo, apesar de continuar em patamar elevado. Isso porque o índice ficou abaixo dos 1,17% apurados pelo IGP-10 de abril. O relatório da consultoria, no entanto, chama a atenção para a forte alteração verificada na composição do índice no atacado. Se o IPA agrícola recuou de 3,21%, em março, para 0,96% agora, por outro lado "o IPA industrial registrou avanço de 0,95% em abril, após alta de 0,17% em março". Ou seja, os preços industriais tiveram forte alta, e somente não empurraram o IGP-M para cima pelo comportamento do atacado agrícola, onde "segmentos que haviam registrado forte elevação de preços em março apresentaram deflação em abril", aponta a Rosenberg. Na indústria, os segmentos que utilizam insumos derivados de petróleo foram os que mais subiram. Os produtos químicos tiveram alta de 1,48%, com destaque para óleos combustíveis (9,54%) e querosene para motores (12,21%). Os preços dos produtos de matérias plásticas avançaram 2,23% em abril, após deflação de 0,46% em março. Para o IGP-M de maio, a Rosenberg observa que as lavouras para exportação podem subir em decorrência da alta das commodities agrícolas. Em relação ao IPA industrial, é esperada continuidade da inflação sobre os grupos ligados à cadeia petroquímica. Em São Paulo, após cinco semanas em alta, a inflação do município interrompeu a aceleração e ficou em 0,98% nos últimos 30 dias até 22 de abril, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP. Na semana anterior, a alta foi de 1%. Além das pressões provenientes do reajuste da tarifa de ônibus e dos medicamentos, pesou o avanço dos alimentos, por conta dos efeitos da seca no Sul e do excesso de chuvas no Centro-Oeste. Nos últimos 30 dias, os grupos pesquisados pela Fipe apresentaram as seguintes variações: transportes (2,35%), alimentação (1,55%), saúde (1,43%), vestuário (0,76%), despesas pessoais (0,39%), habitação (0,20%) e educação (0,06%).(Agências noticiosas)