Título: Paraguai aceitou alterar regra da dívida de Itaipu
Autor: Marli Lima
Fonte: Valor Econômico, 29/04/2005, Empresas &, p. B8

A diretora financeira de Itaipu, Gleisi Hoffmann, criticou ontem as declarações do ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Ernst Bergen, que qualificou como "verdadeiro roubo" a taxa de juros cobrada da empresa binacional pelo Tesouro brasileiro na rolagem da dívida. Segundo ela, o passivo da empresa, que em 1996 somava US$ 16,2 bilhões, foi renegociado na época pelas partes contratantes dos dois países, a Eletrobrás e a Ande. "A decisão de dolarizar o valor total foi aprovada também pelo Paraguai, não foi decisão apenas brasileira", afirmou a executiva. Gleisi explicou que, naquele ano, sete contratos foram convertidos em um único, que transformou a Eletrobrás na grande credora da usina. Em 1998 a Eletrobrás repassou o fluxo de recebimento ao Tesouro Nacional. A dívida tem sido corrigida em 6,8% ao ano, mais variação cambial e de dois índices que medem a inflação americana - o de preços ao consumidor e o de produção industrial. Nos últimos dez anos a média dos índices americanos foi de 2,36%. Em 2003 e 2004 ele ficou acima disso (no ano passado a variação foi de 4,34%), mas em exercícios anteriores houve deflação. Antes de 1996, parte da dívida era em dólar, corrigida em 10% ao ano mais variação cambial, e parte era em moeda nacional, corrigida em 10% ao ano mais IGPM. A executiva disse que o Paraguai pode buscar outra maneira de negociar a dívida.