Título: Proposta do Brasil para tarifas é rejeitada
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 02/05/2005, Brasil, p. A7

A proposta que Brasil, Índia e Argentina apresentaram para a fórmula que será usada para reduzir tarifas de produtos industriais e bens de consumo nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) foi criticada pelos países ricos e agora também por vários países latino-americanos. O argumento da Índia e do Brasil é que a redução de tarifas industriais deve ser calibrada com o estágio econômico das nações em desenvolvimento e a necessidade de proteger indústrias locais mais sensíveis à concorrência externa. Mas a Costa Rica foi particularmente dura: "Há paises em desenvolvimento que também querem liberalização como resultado da Rodada Doha e não nos sentimos representados por outros que pretendem falar em nome dos países em desenvolvimento", disse o representante da Costa Rica. Ele aproveitou para cobrar dos emergentes como o Brasil e a Índia que assumam compromisso de ampla abertura de seus mercados para outros países em desenvolvimento. O Chile qualificou a proposta brasileira de "defensiva". Para o Peru, alguns países com altas tarifas industriais seriam poupados de real liberalização. O México entende que, pela fórmula sugerida, haverá flexibilidade "somente para alguns países", numa referência indireta justamente ao Brasil e à Índia. Sem surpresa, os Estados Unidos reclamaram que a proposta não tem a menor ambição de abrir mercados. A União Européia falou de "proposta velha". O Japão se declarou muito "insatisfeito". Apoio mesmo, "sem entusiasmo excessivo", só veio do Quênia, de Trinidad Tobago, da Jamaica, do Egito e da Tunísia, segundo fontes da OMC. Pelas indicações do mediador da negociação, a proposta de fóormula para reduzir tarifas industriais provavelmente será baseada na "fórmula suíça", que corta proporcionalmente mais as alíquotas mais altas. Mas um consenso passa pelo que acontecer nesta semana em Paris.