Título: Queda na renda deverá desestimular plantio
Autor: Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 02/05/2005, Agronegócios, p. B16
A redução da rentabilidade de grãos nesta safra deve comprometer os investimentos nas lavouras de grãos no ciclo 2005/06, especialmente nos casos da soja e do milho, que têm apresentado as maiores quedas nas margens, segundo levantamento da MS Consult. "Pelas condições atuais, não dá para pensar em uma reação da produção em 2006", diz Fabio Silveira, sócio-diretor da consultoria. Ele estima que a rentabilidade da soja registrará queda próxima a 25% neste ano, devido ao aumento dos insumos e recuo nos preços internacionais do grão. A previsão é de uma redução da receita nominal com a cultura próxima a US$ 1,2 bilhão, para US$ 8,96 bilhões. Silveira observa que os prejuízos com a quebra de safra e o aumento do grau de endividamento também pesam contrariamente na decisão dos produtores em ampliar investimentos na próxima safra. A situação é mais grave no Rio Grande do Sul, onde os produtores iniciaram o ano com dívida próxima a R$ 1 bilhão por conta das perdas sofridas no ciclo 2003/04. "A sojicultura no Rio Grande do Sul só deve se recuperar nos próximos dois ou três anos e é possível que a produção no Estado passe por uma concentração, como ocorre no Sudeste e no Centro-Oeste." Em relação ao milho, ele prevê queda da rentabilidade de até 15% neste ano, também em função da alta dos insumos e queda dos preços no mercado externo. A receita nominal é estimada em US$ 4,64 bilhões no ano, ante US$ 5,24 bilhões de 2004. Silveira observa que há tendência de elevação nos preços do milho no segundo semestre com a redução da produção de 6,7%, para 39,1 milhões de toneladas, o que pressionar também as margens dos frigoríficos, para os quais ele estima queda na rentabilidade nominal de 6,2%. Para o algodão, ele prevê redução da rentabilidade em torno de 11% e receita nominal próxima a US$ 1,09 bilhão. "A menos que o governo lance um plano de financiamento mais generoso que o oferecido nesta safra, a tendência é de um ano mais apertado para as lavouras de grãos", prevê. Para 2005, ele estima que a receita no campo ficará em torno de US$ 42,2 bilhões, ante US$ 41 bilhões em 2004. O resultado positivo, segundo ele, será alcançado com o crescimento da receita nas lavouras permanentes, especialmente o café e o açúcar.