Título: Governo garante que oferta de energia não corre risco em 2008
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 14/10/2004, Brasil, p. A-4

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, afirmou ontem que não há risco de faltar energia no Brasil em 2008, comentando o alerta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) publicado na segunda revisão quadrimestral do Planejamento Anual da Operação Energética para o período 2004-2008, divulgada na sexta-feira. "É válido fazer cenários e se os órgãos ambientais não emitirem licenças, é interessante que os riscos que advirão daí sejam mostrados. Mas tem que se tomar cuidado de não tornar uma hipótese remota em uma coisa provável de acontecer", disse o secretário. Sem negar a existência de entraves ambientais para início de empreendimentos importantes, como a hidrelétrica de Estreito, no Tocantins, com capacidade de gerar sozinha 1.087 MW, Tolmasquim avalia que, de modo geral, a situação até 2008 é confortável sob o ponto de vista da oferta. E informa que dois projetos importantes receberam licença do Ibama recentemente: Barra Grande (690 MW) e Foz do Chapecó (855 MW), ambas na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. "Estamos tranqüilos. Não há motivo para preocupação. Quero dizer aos empresários que eles podem fazer seus investimentos porque o país vive uma situação confortável e não existe risco de faltar energia", frisou Tolmasquim. E ressaltou ainda o fato, como também destacado na matéria publicada ontem no Valor, que o ONS foi conservador ao contabilizar os projetos que vão entrar até 2008, retirando as hidrelétricas sem licença ambiental, as térmicas sem lastro para produzir energia por falta de gás e os projetos do Proinfa, só para citar alguns, no total de 5.200 MW. "Sabemos que temos essas usinas disponíveis para o crescimento do país. É pouco provável que não entrem esses 5.200 MW", enfatizou. O relatório do ONS projeta dois cenários de crescimento da economia. No mais crítico , onde a elevação do consumo de energia pode aumentar caso o PIB cresça a uma média de 4,9% ao ano entre 2005-2008, o risco de ocorrer "qualquer déficit" de energia na região Sul em 2008 é de 11,2% . No mesmo ano, o risco de ocorrer qualquer déficit no Norte é de 16,4% e no Nordeste é de 12,5%. O presidente do ONS, Mário Santos, disse que as projeções da próxima revisão quadrimestral - para o período 2005-2009 - deverão trazer cenários diferentes. Isso porque, explicou Mário Santos, ao fazer os últimos cenários o ONS não considerou um conjunto de obras cuja licença ambiental ainda não haviam sido informadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para Claudio Sales, presidente da Câmara Brasileira de Investidores em Energia Elétrica (CBIEE), o alerta do ONS é importante. "Quando o ONS coloca esse alerta, isso tem que ser trazido para hoje. É preciso que os problemas sejam resolvidos e que seja criado o ambiente propício aos investimentos privados", afirmou. Sales lembra que um levantamento de cenários feito pela consultoria Tendências mostra que o Brasil vai precisar investir no setor elétrico R$ 20 milhões por ano nos próximos 10 anos, sendo R$ 13,6 bilhões só em geração. "Tem que haver ambiente para investimentos privados, já que o setor público não tem como fazer as inversões necessárias", afirmou.