Título: Nova refinaria será definida este mês
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 04/05/2005, Empresas &, p. B8

A refinaria que deverá ser construída no Brasil a partir de uma parceria da estatal brasileira Petrobras com a estatal venezuelana PDVSA poderá processar o óleo pesado produzido pelas duas companhias em conjunto na Venezuela. A informação foi divulgada ontem pelo ministro do petróleo e presidente da estatal venezuelana PDVSA, Rafael Ramírez, que disse que o projeto da refinaria poderá ser confirmado ainda neste mês. A expectativa é que a confirmação ocorra durante um encontro entre os presidentes dos dois países que deverá ser realizado no Rio de Janeiro. De acordo com Ramírez, a PDVSA só está esperando a confirmação definitiva do governo brasileiro sobre o projeto e a decisão sobre a exata localização da nova refinaria no Brasil. Segundo ele, a utilização do óleo pesado venezuelano é uma proposta da companhia venezuelana, que está sendo discutida com a Petrobras, para que as duas empresas desenvolvam em conjunto a produção de óleo pesado na área da Faixa de Orinoco, na Venezuela. "A idéia é que seja um projeto integral, com a produção conjunta na faixa e processamento de volumes no território brasileiro", afirmou Ramírez, acrescentando que "o relacionamento com a Petrobras está em seu melhor momento". Ramírez informou, no entanto, que a proposta de atuação conjunta na Venezuela não é uma exigência da PDVSA e nem da Petrobras e que outras idéias estão sendo discutidas com a estatal brasileira. Segundo ele, representantes das duas estatais estão se reunindo uma vez por mês para discutir o empreendimento. Em relação à informação de que a Petrobras estaria negociando a compra de uma refinaria da companhia da Venezuela nos Estados Unidos, Ramírez disse que algumas empresas já procuraram a estatal venezuelana sobre esse assunto e que, como as negociações são sigilosas, não poderia revelar o nome das empresas. O executivo explicou que a PDVSA está revisando seus negócios internacionais em todo o mundo e que, não necessariamente, isso vai significar a venda de uma ou duas refinarias da subsidiária da estatal nos EUA. Segundo o ministro venezuelano, uma eventual venda de ativos americanos também não teria nenhuma relação com a crise no relacionamento da Venezuela com os Estados Unidos. Ramírez disse ainda que o foco da PDVSA é em exploração e produção de petróleo e que a idéia é que as refinarias da estatal localizadas fora do país processem pelo menos parte do petróleo venezuelano.