Título: EUA apóiam ingresso de Brasil na OCDE
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Fonte: Valor Econômico, 05/05/2005, Especial, p. A16
Os Estados Unidos apóiam a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), espécie de clube de países mais destacados na economia global. "Vemos o Brasil com condições de entrar na Organização e ter voz forte nas decisões, o que é uma vantagem", disse ao Valor a embaixadora americana na OCDE, Constance Morella. "Ser membro dá prestigio e selo de qualidade às políticas de um país." A posição americana foi manifestada depois que o secretário-geral da OCDE, o canadense Donald J. Johnston, informou no balanço final do conselho anual de ministros, ontem, que vem tendo "forte diálogo" com Brasil, Rússia, China e Índia no âmbito do futuro alargamento da entidade, que ele espera fazer avançar durante o ano de mandato que lhe resta. Na OCDE, o processo não é um clássico processo de adesão. O convite parte dos atuais 30 membros. Por isso a diplomacia brasileira mostra-se prudente sobre o tema. Alguns se declaram publicamente candidatos, como a Argentina desde o governo Menem, o Chile, Rússia e Israel. O único latino-americano já membro é o México. Fundada após a segunda guerra mundial para organizar a ajuda do Plano Marshall americano aos europeus, a OCDE concentra-se hoje no que chama de "contribuir para uma globalização equilibrada". Ocupa-se de cada elemento da política pública, com exceção da defesa. Sua área de cobertura, muitas vezes aprovando regulamentações que vão se impor a todos os outros países, vai de saúde e meio-ambiente a questões de subsídios industriais. Para alguns diplomatas brasileiros, a OCDE hoje precisa da entrada do Brasil e outros emergentes para aumentar sua esfera de influência. Por sua vez, a embaixadora americana considera a entrada brasileira natural porque o país já é o terceiro maior participante com status de observador nos comitês da entidade, atrás de Rússia e Israel. (AM)