Título: Baixa produção na Índia e Tailândia pode frear avanço do país no álcool
Autor: Mônica Scaramuzzo
Fonte: Valor Econômico, 05/05/2005, Agronegócios, p. B16

O avanço do Brasil no mercado internacional de álcool poderá ser mais contido por conta dos problemas enfrentados pela Índia e Tailândia, dois importantes produtores de cana, na implementação do programa de combustível em seus países. Potenciais importadores, como o Japão, querem ter a garantia de abastecimento de várias fontes produtoras. "Não há possibilidade desses dois países terem excedente exportável no curto prazo", disse Leonardo Bichara, economista da Organização Internacional do Açúcar (ISO, em inglês). Segundo ele, esses países enfrentam escassez de produção por causa do clima. A produção de álcool da Índia está em 1 bilhão de litros, mas pouco desse volume é utilizado para combustível. Na Tailândia, o país consome cerca de 100 milhões de litros para combustível. Bichara, que participou ontem do seminário sobre açúcar e álcool, organizado pela Datagro e a ISO, afirmou que os preços da cana na Índia e Tailândia estão altos, em torno de US$ 25 por tonelada - no Brasil está a US$ 14 -, o que torna cara a produção de álcool nesses países. "A expectativa é que a safra nesses países se recupere em 2006/07." Plínio Nastari, presidente da Datagro, concorda que o atraso desses países pode frear os planos do Brasil. "A Austrália está interessada em acelerar seu programa de álcool", disse. Nastari vai para Austrália na próxima semana discutir o programa de álcool naquele país. Para Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da Unica (que reúne as usinas paulistas), o Brasil está buscando a parceria dos EUA para abastecer potenciais países importadores de álcool, como o Japão. O presidente Lula viaja neste mês para o Japão para discutir, entre outras coisas, o programa de álcool naquele país. Segundo Carvalho, que estará na missão, o setor privado já discute detalhes de natureza técnica com o governo. "O Japão fala muito em garantia de suprimento. E o país tem como garantir a produção. Mas temos que ter a contrapartida do Japão, com contratos de longo prazo", disse.