Título: Celulares aquecem produção industrial no AM
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 12/05/2005, Brasil, p. A3
As exportações de celulares fizeram da produção industrial do Amazonas a mais aquecida no primeiro trimestre do ano, crescendo 14,2% em relação a igual período de 2004, quase quatro vezes a média nacional (3,9%). Os indicadores regionais de produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a março comprovam, porém, a desaceleração do ritmo de crescimento da atividade na indústria. Nos três últimos meses do ano passado, a produção havia crescido 6,3% no país em relação ao mesmo período do ano anterior. O IBGE não tem indicador de ponta (mês a mês, livre de efeitos sazonais) para a indústria regional.
Em 11 das 14 áreas (Estados ou regiões) pesquisadas, o crescimento do primeiro trimestre foi menor que o do quarto trimestre de 2004, sempre em relação a iguais períodos do ano anterior. Além do Amazonas, somente Pernambuco (3,3% ante 1,8% ) e Minas (7%, ante 5,4%) apresentaram aceleração no ritmo de crescimento no começo do ano. Segundo Isabella Nunes Pereira, analista do departamento de indústria do IBGE, os dados do primeiro trimestre revelam que o crescimento da produção neste ano está sustentado em bens de consumo, duráveis e não-duráveis, enquanto no último terço do ano passado o impulso maior vinha dos bens de capital (máquinas e equipamentos), bens intermediários e bens de consumo duráveis. Para a analista, essa configuração explica, em parte, a alta menos acelerada da produção em geral. A elevação da produção de bens de consumo não-duráveis é impulsionada, basicamente, pelo aumento da renda. "A melhora da renda ainda é modesta", diz Isabella. O destaque do Amazonas no começo do ano foi sustentado pelo setor de material eletrônico e equipamentos de comunicação, no qual se incluem os celulares. Ele cresceu 31,4% no acumulado do trimestre e 30,5% apenas no mês de março. O crescimento da indústria amazonense só não teve maior impacto na produção do país, porque o peso do Estado em relação ao conjunto é pequeno. São Paulo, Estado de maior peso, cresceu 5,2% no trimestre, ante 8,8% no último trimestre do ano passado. Na comparação março 2005 e março de 2004, a produção industrial paulista cresceu 2%, um pouco acima do desempenho geral na mesma comparação (1,7%). O maior destaque negativo dos números da indústria regional de março ficou com o Rio Grande do Sul, único com resultado trimestral negativo -queda de 3,7%. Segundo a técnica do IBGE, o resultado é decorrência direta do impacto da seca sobre a atividade no campo. A produção de máquinas e equipamentos caiu 16,5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.