Título: Rodrigues prevê quebra histórica na safra do país
Autor: Janes Rocha
Fonte: Valor Econômico, 12/05/2005, Agronegócios, p. B13

A produção agrícola brasileira terá uma das maiores quebras de sua história, disse o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, durante o XVII Fórum Nacional. A estimativa para a safra 2004/05, que era de 131 milhões de toneladas de grãos, é de uma produção "perto de 115 milhões", segundo Rodrigues. O motivo principal é a seca que arrasou as plantações no Sul do país, mas o ministro apontou também o câmbio, que tirou a rentabilidade de vários produtos. Para amenizar os efeitos da quebra sobre a renda dos produtores, Rodrigues disse que está negociando um reforço de R$ 1 bilhão no orçamento do ministério para ações emergenciais, além da abertura de um crédito adicional, no valor de R$ 300 milhões para dar apoio às cooperativa. Os recursos virão das exigibilidades bancárias. Além disso, prossegue uma negociação com a bancada ruralista no Congresso Nacional e com o Ministério da Fazenda em torno de propostas para rolagem de pelo menos R$ 3 bilhões em dívidas. A bancada tem uma proposta de usar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para a formação de um "fundo rotativo", que funcionaria como uma espécie de "capital de giro" ou um "crédito rotativo", para dar fôlego aos agricultores e evitar a rolagem das dívidas. O ministro considera a tese dos ruralistas "interessante" mas lembrou que exige uma regulamentação e uma adequação legal, portanto não seria para agora. Os produtores ficaram, no total, com uma conta de R$ 35 bilhões para pagar, referente ao financiamento e investimentos na safra 2004/05. Desse total, disse Rodrigues, falta dinheiro para pagar R$ 14 bilhões que incluem dívidas do crédito rural tradicional no Banco do Brasil e nos bancos privados (cerca de R$ 7 bilhões) e os financiamentos junto às indústrias de insumos. Segundo o ministro, pelo menos R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões já foram provisionados como perda pelo BB, referente aos prejuízos dos agricultores do Sul. O provisionamento leva a um segundo problema que é compensar os recursos para a próxima safra. Rodrigues informou que o governo vai usar os mecanismos para "enxugar mercado" e evitar queda dos preços de produtos. Também serão feitos leilões de Prêmio de Escoamento de Produtos (PEP) para desovar estoques. "Tudo isso, porém implica recursos orçamentários que o ministério não tem", disse Rodrigues. Segundo ele, o Ministério da Fazenda não garantiu nada até agora, mas a área econômica tem mantido reuniões diárias com a Agricultura para discutir o assunto. O que o ministro conseguiu foi recuperar R$ 40 milhões dos R$ 100 milhões cortados pelo Planejamento do orçamento de defesa sanitária. Além de inferior à previsão inicial, a safra 2004/05 também será menor que no ciclo anterior, quando a produção atingiu 119 milhões de toneladas. Segundo Rodrigues, a perda significa uma redução de quase R$ 10 bilhões em faturamento. O aumento dos custos com insumos e a valorização do câmbio também afetaram o setor. "Os insumos foram comprados no ano passado com o dólar a R$ 3 e a produção está sendo vendida com o dólar a R$ 2,50". A combinação desses fatores não só afeta a competitividade dos produtos exportados como compromete a renda agrícola o que, para Rodrigues é o mais grave. "A queda da renda pode interferir na redução da área plantada e principalmente no padrão tecnológico para o próximo ano", alertou.