Título: PV rompe e base aliada perde sete deputados
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Fonte: Valor Econômico, 20/05/2005, Política, p. A8

O PV anunciou ontem sua saída da base aliada do governo na Câmara. A bancada de sete deputados agora está, oficialmente, independente. Esse afastamento não precisará ser seguido pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, filiado à sigla. "Ele não é uma indicação da legenda, é uma escolha pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", afirmou o líder do partido, Marcelo Ortiz (SP). Ortiz disse que tentou avisar Gil da decisão mas não o encontrou pois ele estaria em viagem ao exterior. O partido saiu da base como forma de protesto com o que eles classificam de descaso do governo Lula com questões ambientais. Em nota, o partido diz que o governo "representa um retrocesso na política ambiental brasileira". Ortiz condenou o apoio do governo à lei dos transgênicos, à importação de pneus usados e ao projeto de transposição do rio São Francisco. O partido também anunciou apoio à CPI dos Correios. A "gota-d`água" para a tomada da decisão foi o anúncio, na quarta-feira, de que o desmatamento na Amazônia atingiu em um ano, segundo governo, 26 mil quilômetros quadrados, o equivalente ao Estado de Alagoas. Alguns deputados chegaram a levantar dúvidas dos números oficiais, temendo maquiagem dos dados, já que imaginam que o desmatamento no país é maior que o divulgado. O partido - que estava na base há 28 meses - comunicou a decisão ao líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e afirmou que não houve tentativa de manter o PV na base. "Não é papel do líder ou de ministro, é uma questão de governo, programática", disse Edson Duarte (BA), vice-líder na Câmara. Parlamentares da base aliada disseram que a decisão não pesa muito, pois além de ser um partido pequeno, a legenda não era muito fiel ao governo nas votações. (HGB)