Título: BB prorroga débitos de olho no ciclo 2005/06
Autor: Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 20/05/2005, Agronegócios, p. B14
O Banco do Brasil informou que está realizando ações para prorrogar os prazos das dívidas dos produtores rurais, medida necessária para que possam tomar mais recursos no Plano de Safra 2005/06, a ser anunciado pelo Ministério da Agricultura. "Uma vez prorrogada a dívida, o banco vai reabrir a porta para o produtor fazer novas operações e tão logo seja anunciado o novo plano, estaremos prontos para ajudar os agricultores a se manterem na atividade", afirmou Ricardo Conceição, vice-presidente de agronegócios do banco. Entre as ações, o BB está prorrogando em cinco parcelas as dívidas de custeio da safra 2004/05, ampliando o prazo de pagamento das dívidas em até três anos e fazendo a rolagem de Cédulas do Produto Rural (CPRs). Conceição disse que, com essa rolagem, o banco conseguirá manterá os níveis de inadimplência inalterados. Até maio, a instituição aplicou R$ 23 bilhões dos R$ 25 bilhões do plano 2004/05, e a expectativa é atingir R$ 25,5 bilhões até o fim da safra. Conceição reafirmou que os financiamentos não protegidos por seguro e que terão o prazo renegociado pelo banco ficarão entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões nesta safra. Além disso, o banco examina 200 mil pedidos do seguro para agricultura familiar, o Proagro Mais, estimados em R$ 400 milhões. O Santander Banespa também está recebendo pedidos de prorrogação das dívidas. Segundo Walmir Segatto, superintendente de agronegócios do Santander Banespa, "os pedidos de prorrogação da dívida estão acontecendo, mas ainda não é possível dimensionar a que volume chegará no fim da safra". Ele acrescentou que a procura por crédito está menor neste ano e que, mesmo com os alongamentos de dívidas, o banco espera manter o nível de inadimplência de 2004, de 1%. Segatto estima que os recursos para o agronegócio cresçam 25%, para R$ 2,5 bilhões. Carlos Augusto Pereira, gerente da área de operações indiretas do BNDES, disse que os bancos devem empregar todo o recurso do Plano de Safra 2004/05, de R$ 46,5 bilhões. A exceção são os R$ 5,5 bilhões do Moderfrota. Segundo ele, até junho a tomada de financiamento não deve chegar a 50% desse valor. Márcia Regina de Sousa, gerente de municípios e agronegócio da Nossa Caixa, afirmou que os agricultores buscam principalmente as linhas de financiamento do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), que oferecem taxas de juros de 4% ao ano. "Os pedidos para essas linhas estão muito superiores ao que o banco pode oferecer", diz Márcia. Ele observa que apenas os pedidos para o Moderfrota Paulista superam os R$ 15 milhões destinados à linha pelo Feap. Na quinta-feira, na Agrishow, um grupo de produtores e 40 deputados da bancada ruralista informaram que o setor vai promover no dia 31 de maio uma manifestação nacional contra a política macroeconômica do governo. Produtores do Mato Grosso prometem protestar em 40 municípios já nesta sexta-feira. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, voltou a dizer aos ruralistas que está fazendo todos os esforços junto à Fazenda para a rápida liberação de recursos ao setor.