Título: Brasil e G-20 definem proposta à OMC
Autor: Raquel Landim
Fonte: Valor Econômico, 27/05/2005, Brasil, p. A3

O Brasil se reúne hoje com os demais membros do G-20, grupo de países que pede o fim dos subsídios, para definir a proposta de liberalização do comércio agrícola que será apresentada na próxima semana em Genebra. Entre os membros do G-20, estão China e Índia. As negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC), chegaram a uma fase crucial. Na próxima semana, os países tentarão desatar dois importantes nós da discussão agrícola: a fórmula utilizada para cortar tarifas e os critérios que limitarão o número de produtos "sensíveis". Um grupo técnico formado pelo governo e pela iniciativa privada formulou uma proposta de corte das tarifas agrícolas, que será submetida hoje aos países do G-20. Segundo uma fonte, a proposta brasileira divide as tarifas em cinco diferentes bandas no caso dos países desenvolvidos e quatro para as nações em desenvolvimento. Para os países ricos, o Brasil sugere a divisão das tarifas em cinco grupos: 0% a 20%, 20% a 50%, 50% a 80%, 80% a 200% e acima de 200%. Para cada uma dessas bandas, o país pede a adoção de uma fórmula diferente, para garantir que as tarifas mais altas serão cortadas com mais intensidade. Essas bandas foram definidas com base na estrutura tarifária dos países ricos. O Brasil também quer limitar o número de produtos "sensíveis" dos países desenvolvidos. Esses produtos ficarão de fora do corte de tarifas e o acesso ao mercado será feito por meio de cotas. O Brasil montou um sistema de "débito e crédito" entre a fórmula do corte de tarifas e os produtos "sensíveis": o país que optar por muitos produtos "sensíveis", terá que utilizar uma fórmula que promova cortes profundos das demais tarifas agrícolas.