Título: Custo de usina da Posco pode cair 7,5%
Autor: Cristiano Romero
Fonte: Valor Econômico, 27/05/2005, Empresas &, p. B1
A "MP do Bem", como foi batizado o pacote tributário que o governo baixará para atrair investimentos destinados ao setor exportador, reduzirá em US$ 150 milhões o custo de investimento da coreana Posco e da Vale do Rio Doce na instalação de uma usina siderúrgica no Maranhão. Isso representa 7,5% do total do investimento, estimado em US$ 2 bilhões. A estimativa é do presidente da Vale, Roger Agnelli. O principal estímulo a ser oferecido pelo governo será a suspensão da cobrança de PIS e Cofins na compra de bens de capital (equipamentos e máquinas) por empresas que exportem mais de 80% de sua produção. A economia pode ser decisiva para que a nova siderúrgica seja instalada no Brasil, em vez de na Índia, país que também está tentando levar o investimento da Posco para seu território. "A Índia está dando incentivos para ficar com a siderúrgica, mas, com a 'MP do Bem´, o Brasil iguala os benefícios. A competição está muito forte", disse Agnelli ao Valor. O executivo que integra a missão empresarial que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem à Coréia e ao Japão, está otimista com a possibilidade de a Posco optar de fato pelo Brasil. Na terça-feira, Agnelli e o presidente executivo da Posco, Ku Taek Lee, assinaram memorando de entendimento para a realização de um estudo de viabilidade com vistas à instalação da usina. No café da manhã que teve com representantes de 14 grandes empresas da Coréia do Sul, dentre eles, o presidente do conselho da Posco, Kang Chang-Oh, o presidente Lula falou do interesse em trazer o investimento da Posco para o Brasil. No encontro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, informou que o BNDES oferecerá financiamento para a aquisição de equipamentos fabricados no Brasil. "Antes, havia um namoro. Agora, estamos noivos", brincou Agnelli. A usina maranhense está projetada para produzir, inicialmente, 3 milhões de toneladas de aços planos por ano. Trata-se de uma unidade equivalente, por exemplo, à metade do que faz hoje a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN). Na futura usina, explicou Agnelli, a Posco utilizará um processo tecnológico conhecido por "Finex". O minério de ferro de Carajás se adequa perfeitamente ao projeto", assinalou. Ele explicou que a participação da Vale no capital da siderúrgica será minoritária, algo que sirva de "estímulo". A mesma regra vale para as outras parcerias que está negociando no momento - uma usina no Rio, com a alemã ThyssenKrupp, outra no Maranhão, com a chinesa Baosteel e uma terceira no Ceará, com a coreana Dongkuk e a Danieli, fabricante italiana. A estratégia da Vale é aumentar a demanda no Brasil para o minério que produz. "Para a Vale, é muito bom que a siderurgia cresça no Ocidente, o nosso mercado natural", observou. Ele lembrou que, na última década, o crescimento da produção de aço se deu na Ásia - particularmente, no Japão, na Coréia, em Taiwan e na China. Na última década, os resultados do setor no Brasil não foram bons. Em 2002, o mercado melhorou e, agora, a siderurgia nacional já opera no limite da capacidade, o que levou o governo a reduzir alíquotas de importação para assegurar o abastecimento e aliviar os preços no mercado interno. "O momento facilita a decisão de aumento da capacidade. Há uma janela de oportunidade para o Brasil neste momento", afirmou Agnelli. Se as parcerias em negociação forem concretizadas, a Vale terá forte aumento de demanda para o seu minério nos próximos anos. A parceria com a Baosteel produzirá 4,5 milhões de toneladas por ano. O investimento também é avaliado na casa de US$ 2 bilhões. No caso da usina da ThyssenKrupp, com valor similar, a previsão é produzir por ano 4,5 milhões de toneladas. Na usina cearense, o investimento será de algo entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões e a produção anual, de 1,5 milhão de toneladas.