Título: Corrupção preocupa mais que a violência
Autor: Henrique Gomes Batista
Fonte: Valor Econômico, 01/06/2005, Política, p. A8
Pela primeira vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um percentual de intenção de voto para 2006 inferior ao resultado obtido nas eleições de 2002. É o que mostra a mais recente pesquisa CNT/Sensus. Também pela primeira vez, a desaprovação das ações econômicas, sociais e políticas do governo é bem maior que a aprovação. Aumentou, ainda, a percepção de corrupção no governo. A deterioração da imagem do presidente, no entanto, foi menos acentuada do que no intervalo anterior da pesquisa (fevereiro a abril), quando a aprovação do desempenho pessoal de Lula caiu seis pontos percentuais. A pesquisa, divulgada ontem e realizada de 24 a 27 de maio, com duas mil entrevistas em 195 municípios, mostra que apenas 39,8% dos entrevistados aprovam o governo, o menor índice desde agosto do ano passado. A política econômica tem sido inadequada para 45,2% dos entrevistados e adequada para 37,5%. A desaprovação é 10 pontos percentuais maior que em dezembro. Piorou também a avaliação sobre as políticas sociais. Em dezembro, eram aprovadas por 42,5% e desaprovadas por 33,5%. Agora, 42,8% desaprovam essas políticas, e 41% as aprovam. Na condução política do governo, a desaprovação era de 36,4% e a aprovação de 35,7% na pesquisa anterior, e esses percentuais passaram, respectivamente, para 46,7% e 35,6%. "Esse é um sinal claro de alerta para o governo", afirmou presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade, vice-governador de Minas Gerais. Aprovam o presidente 57,4% dos entrevistados, uma queda de 2,7 pontos percentuais em relação a abril. A variação está dentro da margem de erro da pesquisa, de 3%, mas esse resultado coloca a popularidade de Lula no patamar mais baixo entre as seis pesquisas realizadas desde junho do ano passado. "É muito grave; a má avaliação governo começa a arranhar a imagem de Lula, sempre superior à média do governo", afirmou Clésio. Entre os entrevistados, 31,2% acreditam que a corrupção aumentou no governo Lula, ante 25,2% que tinham esta percepção em março do ano passado. A corrupção está no topo, entre os motivos apontados por não se ter orgulho do Brasil com 27,1% das respostas. Ultrapassou a violência, motivo escolhido por 23,4% dos entrevistados. O levantamento demonstrou que 51,2% dos entrevistados sabem das denúncias de corrupção nos Correios. No ano passado, as denúncias de irregularidades envolvendo o ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, foram conhecidas por 43,9% dos entrevistados em março de 2004, quando o assunto já tinha dois meses de exposição na mídia. Os responsáveis pela pesquisa avaliam que o caso dos Correios ainda está em fase inicial e seus desdobramentos podem contaminar ainda mais a imagem do governo federal. Nas simulações para as eleições presidenciais de 2006, pela primeira vez, Lula aparece em todos os cinco cenários propostos com menos de 41% de intenções de votos - percentual de eleitores obtido pelo presidente no primeiro turno de 2002. O presidente recebe entre 37,1% a 39,7% das intenções de votos. Apenas em um cenário, contudo, Lula poderia não vencer as eleições em primeiro turno. Em seus melhores cenários, os opositores de Lula mais bem qualificados são José Serra (PSDB) com 17,7% das intenções de votos, seguidos de Anthony Garotinho (PMDB) com 14,6%, Geraldo Alckmin (PSDB) com 13,1%, Cesar Maia (PFL) com 12%, Aécio Neves (PSDB) com 9,2% e Heloísa Helena (P-Sol), com 5,7%. No segundo turno, Lula vence com grande vantagem quaisquer dos prováveis candidatos, variando de 49,7% a 56,8% dos votos. A pesquisa também perguntou qual o melhor governador do país. Foram apresentados os nomes dos chefes dos oito Estados mais populosos. Proporcionalmente, Aécio Neves e Rosinha Matheus, foram melhor avaliados. Geraldo Alckmin foi o mais citado - 18,4% - mas ficou abaixo da porcentagem de paulista da amostra, de 21,8% do total.