Título: Demanda impulsiona crescimento de cursos de pós-graduação
Autor: Silvia Torikachvili
Fonte: Valor Econômico, 03/06/2005, EMPRESA & COMUNIDADE, p. F3
O exercício da responsabilidade social requer profissionais com preparo específico. Para atender às exigências de um mercado em alta, cursos de pós-graduação se multiplicam. Há uma explicação para isso: a pesquisa do IBGE em parceria com Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) e Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), dá uma dimensão do crescimento das organizações não-lucrativas nos últimos dez anos. A tendência é mundial, mas o Brasil merece destaque. Entre 1996 e 2002, a quantidade de organizações sem fins lucrativos pulou de 107 mil para 279 mil. "Embora não haja um levantamento, sabemos que há mais oportunidade de trabalho no Terceiro Setor", atesta Marly Reis, coordenadora de pós-graduação em gestão no Terceiro Setor do Senac. Para situar os alunos que optam pela gestão em Terceiro Setor, pelo menos um terço dos cursos são voltados para análise do contexto sócio-político-econômico. "Os candidatos a vagas nas não-lucrativas ou a algum trabalho em institutos ou fundações precisam ter noção da importância do desenvolvimento econômico combinado com o social e ambiental. E é esse justamente o diferencial dos cursos", explica ela. Os cursos do Senac tiveram início em 2004 e registraram 35 alunos na primeira turma. "É um novo universo de trabalho, com uma nova visão do mercado, que traz retorno financeiro e satisfação pessoal", diz Marly. O curso de pós-graduação tem duração de 18 meses ou 376 horas e custa R$ 580 mensais. Mas também há cursos livres que tratam dos aspectos jurídicos do Terceiro Setor, captação e desenvolvimento de recursos, gestão de voluntariado e elaboração e gerenciamento de projeto. São cursos rápidos, geralmente entre 16 e 32 horas, e custam entre R$ 390 e R$ 580. Incluem um trabalho junto a comunidades de base e também em organizações sociais. "O grande desafio é conhecer os problemas das organizações sociais e desenvolver ferramentas para solucionar as questões", diz Marly. "É uma rica experiência, propõe quebra de paradigmas e proporciona um raro aprendizado", explica. Trabalhar com as ONGs, enfrentar o dia-a-dia de organizações sem fins lucrativos, mas que devem apresentar resultados positivos, é um aprendizado e tanto, segundo Marly. Para ela, o verdadeiro gestor é aquele profissional que quebra mitos, enfrenta a generalizada falta de ferramentas e aprende a construir modelos junto com a organização. "Assim terá a visão do todo, organizará sua própria rede de contatos e saberá administrar qualquer adversidade". (S.T.)