Título: Furlan espera desvalorização do real
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Fonte: Valor Econômico, 07/06/2005, Especial, p. A12
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse ontem que o real deve se desvalorizar em relação ao dólar, seguindo tendência mundial de apreciação da moeda americana. "Se o real foi refém de um processo mundial de desvalorização do dólar, ele poderá também agora ser beneficiado", disse. Segundo Furlan, parece ter chegado ao fim o processo de valorização do dólar que tomou conta do mercado nos últimos 12 meses. Ele citou como exemplo a alta do euro ante o dólar, após o referendo francês que rejeitou a constituição européia na semana passada. Apesar de acreditar que o processo de desvalorização do real deve começar em breve, Furlan brincou que a moeda brasileira parece "vacinada", pois não acompanha a valorização do euro. O comentário foi feito durante o encontro dos membros do Conselho Estadual de Relações Internacionais e Comércio Exterior de São Paulo (Cericex). Em entrevista coletiva, Furlan explicou que a "vacina" é o esforço feito pelos governos federal e estaduais para desonerar as exportações e melhorar a logística. Ao reduzir os custos do exportador, esses fatores acabam "anulando" a perda de competitividade provocada pelo câmbio. Ontem, o dólar subiu 0,95% ante o real, para R$ 2,45. A valorização foi provocada pela crise política. O ministro ressaltou que as exportações brasileiras devem reduzir o ritmo de crescimento a partir de junho. Furlan não culpou o câmbio pelo fenômeno, mas afirmou que é um problema de base de comparação. As exportações, que haviam atingido US$ 7,9 bilhões em maio de 2004, saltaram para US$ 9,3 bilhões em junho. Entre junho e dezembro do ano passado, a média mensal das exportações ficou em US$ 9 bilhões. "Para que nós possamos ter um desempenho expressivo nesse ano, teríamos que passar a exportar um patamar de US$ 10 bilhões por mês", disse Furlan. Ele disse que é possível atingir essa marca, mas que, por enquanto, mantém a meta de exportar US$ 112 bilhões por ano. No acumulado de 12 meses até maio, o país exportou US$ 106 bilhões. O ministro ressaltou as importações devem continuar subindo. Na avaliação de Furlan, o câmbio não está impactando a balança comercial porque os embarques de alguns setores estão compensando as perdas de outros. Ele afirmou que, entre janeiro e maio, a maior queda nas exportações foi registrada pelo complexo soja por causa da quebra da safra agrícola. Já os setores de aço e material de transporte elevaram expressivamente o volume de embarques ao exterior. Furlan ponderou, no entanto, que as exportações de minério de ferro cresceram mais de 60% no ano por conta do aumento dos preços da commodity. Com a acomodação da oferta e demanda no setor, a tendência nos preços é de declínio. (RL)