Título: Lula forma comitê para colocar reforma política em pauta
Autor: Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 09/06/2005, Política, p. A7

Crise Grupo será coordenado por Márcio Thomaz Bastos e terá a participação de Wagner, Aldo e Dulci

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou ontem o discurso em defesa da reforma política e anunciou que o governo vai entrar no debate. Ele pediu a um grupo de ministros a elaboração, em 45 dias, de um relatório sobre o assunto. "Não queremos que o Poder Executivo seja voz determinante do processo da reforma política, mas queremos fazer ao Congresso a boa provocação do debate político", afirmou Lula durante solenidade de nomeação dos integrantes dos Conselhos Nacionais do Ministério Público e de Justiça. Lula havia falado sobre a necessidade da reforma ainda na terça-feira, quando quebrou o silêncio e se posicionou sobre as denúncias de corrupção que atingem o governo e o PT. Ontem, o presidente voltou ao tema da reforma política de forma mais enfática e pediu aos parlamentares disposição para levar a proposta em frente. "É extremamente importante a gente aproveitar esse momento político para discutir esse tema que, de vez em quando, se transforma em tabu no Congresso Nacional." Presente à cerimônia, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), disse que na próxima semana vai se reunir com os líderes partidários e fazer um apelo para colocar a matéria logo em votação. "Eu quero aprovar a reforma até outubro para que ela possa valer para as próximas eleições", ressaltou Severino. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, vai coordenar os trabalhos da reforma política, que vão contar com a participação dos ministros Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Aldo Rebelo (Coordenação Política). Lula adiantou que o relatório terá propostas que apontam para o fortalecimento dos partidos políticos, do aperfeiçoamento do sistema eleitoral e da disciplina do financiamento das campanhas eleitorais. O ministro Aldo Rebelo esteve ontem no Congresso levando a idéia do governo - ele conversou com Severino Cavalcanti e com todos os líderes da base e avalia que a reforma poderia retomar a credibilidade da classe política. Ao discursar, o presidente conclamou a sociedade civil a se envolver com o tema, enviando sugestões e propostas aos parlamentares. Lula lembrou que há 18 anos ouve o senador Marco Maciel (PFL-PE) falar do tema. "Não temos o direito de continuar a permitir que as coisas demorem tanto para acontecer", afirmou. "Reforma política começa a ser a palavra mágica que todo mundo fala a todo instante e ninguém quer quebrar a casca do ovo para ver o que vai sair. É de se perguntar porque a reforma política não anda se a maioria perguntada é a favor." Em encontro ontem com líderes ruralistas, o presidente Lula disse que o governo não teme uma CPI para investigar as denúncias de corrupção. "Se tiver que fazer, que se faça, mas entendo que o Congresso não pode parar, deve continuar votando, aprovando ou não as matérias", ressaltou Lula segundo relato dos produtores rurais, que prestaram solidariedade ao presidente pela crise política vivida pelo Executivo. O ministro Jaques Wagner contou que o presidente continua tranqüilo e que o momento mais importante de ontem para Lula foi durante encontro com o empresariado, no qual ele recebeu o anteprojeto da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. "Os empresários deixaram claro que estão do lado do presidente", afirmou Jaques Wagner. À saída do encontro com Lula, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, afirmou que não há razão para imaginar que esse processo possa comprometer o desempenho da economia.