Título: Vale terceiriza as importações com a americana Vastera
Autor: Paulo Henrique de Sousa
Fonte: Valor Econômico, 09/06/2005, Empresas &, p. B9
Logística Companhia foi comprada pelo JP Morgan Chase e planeja crescer 55% no Brasil, em 2005
A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) terceirizou completamente o gerenciamento dos seus serviços de importação com a Vastera, multinacional americana especializada em serviços de comércio exterior. A diretora geral para a América do Sul da Vastera, Simone Aguiar, informou que esse é o maior contrato já assinado pela empresa no Brasil, e que vai aumentar em 30% o faturamento anual - de US$ 2,2 milhões, no ano passado. A assessoria de imprensa da Vale do Rio Doce foi procurada e informou que não havia nenhum executivo disponível para falar sobre o assunto. Os executivos das duas empresas passaram quatro meses negociando até conseguirem fechar o acordo, no final de abril. Entre os artigos de que a Vastera vai gerenciar para a Vale estão coque, pneus e peças para veículos pesados, vagões, locomotivas e produtos químicos utilizados na extração de minério. Serão pelo menos 250 operações por mês. Para atender à Vale, a Vastera montou uma equipe de 20 profissionais e, pela primeira vez, terá representantes fora do estado de São Paulo - na Bahia, Maranhão, Espírito Santo e Minas Gerais. "É uma operação ousada", comenta Simone. O negócio fechado com a Vale é um exemplo do apetite da Vastera no mercado brasileiro e na América do Sul. Ela chegou ao Brasil em 2002, quando comprou a Bergen, empresa de software de comércio exterior. De lá para cá, foram criadas três áreas de negócios: software para comércio exterior, consultoria e operações terceirizadas. Essa última área é o foco de atuação da empresa no Brasil e representa mais da metade do faturamento - a operação com a Vale é o exemplo maior e mais recente. Há outros clientes grandes, como Nortell, Johnson & Johnson, Lucent, Avon e AmBev. A atuação da Vastera ganhou um forte impulso no último mês de abril, quando o banco JP Morgan Chase anunciou a compra da empresa, que passou a se chamar JP Morgan Chase Vastera. A diretora para a América do Sul avalia que a empresa ganha mais capacidade de investimento na região e o banco consegue se aproximar de importadores e exportadores para vender também os serviços financeiros. Na próxima semana, quatro executivos da matriz americana virão ver de perto o plano de expansão da Vastera brasileira, que ganhou dimensão depois da operação do JP Morgan. Simone antecipou que a estratégia é elevar a participação da unidade brasileira dos atuais 2% para 10% do faturamento global da empresa - de cerca de US$ 80 milhões. Neste ano, a estimativa é elevar o faturamento em 55%, para R$ 11 milhões, e chegar a R$ 18 milhões, em 2006. O plano parece ambicioso, mas a executiva tem um discurso pronto para justificá-lo. Para Simone, o comércio exterior brasileiro vai continuar crescendo, mesmo com a cotação do dólar longe dos R$ 3. O cenário de crescimento pífio do PIB , no primeiro trimestre deste ano, também não a desestimula. A executiva observa que há muito espaço para crescimento no mercado brasileiro porque as operações de comércio exterior por aqui ainda são muito problemáticas. Os custos com logística no Brasil são estimados em 20% do PIB, quase o dobro do nível dos países participantes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo um relatório do Banco Mundial. Nesse quesito de ineficiência logística, o Brasil perde para a Argentina e o Peru, onde os custos chegam a 21% e 24% da riqueza nacional, respectivamente. Não por coincidência, mercados nos quais a Vastera também chegou recentemente. Estoques e armazenagem estão entre as principais causas dos altos custos de logística. No Brasil, isso é ainda mais grave, já que os estoques de produtos acabados são duas vezes maiores do que nos Estados Unidos, por exemplo, e os de produtos primários, três vezes, segundo o estudo do Banco Mundial. Em vez de um obstáculo, a Vastera vê esses números como uma oportunidade de negócios. Se as companhias precisam exportar e as operações de logística são caras, há aí espaço para as empresas que vivem de prestar esse tipo de serviço. Simone comenta que o desafio é melhorar os processos de importação e exportação dos seus clientes, reduzindo os custos e gerando economia. "Observamos o potencial dos clientes e o que podemos fazer para agregarmos valor". A Vastera também aposta no atendimento às companhias que precisam integrar suas operações de comércio exterior na América do Sul. A Avon, por exemplo, usa o software da Vastera de gerenciamento de importação e de exportação no Chile, na Argentina e no Peru. Simone conta que as multinacionais querem ter o mesmo padrão de eficiência em todos os países.