Título: Produção industrial fica estável em abril
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 08/06/2005, Brasil, p. A2

Conjuntura Extrativa mineral sobe 7,4% em relação a março, enquanto segmento de transformação cai 0,5%

A produção industrial brasileira ficou estável em abril (crescimento zero), na comparação com o mês anterior, já descontados os efeitos típicos (sazonais) de cada período. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desempenho só não foi negativo porque a indústria extrativa mineral, liderada pelo petróleo, cresceu 7,4% nessa forma de comparação, enquanto a indústria de transformação registrou queda de 0,5%, depois de ter crescido 1% em março na comparação com fevereiro. O crescimento zero de abril, para o conjunto da indústria, se seguiu a um desempenho positivo de 1,5% em março e de duas quedas nos meses anteriores, 1,4% em fevereiro e 0,5% em janeiro, sempre em relação ao mês anterior. Essa seqüência fez os analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) concluírem que, com crescimento negativo de 0,1% na ponta, a indústria brasileira apresenta "estagnação". A estabilidade da indústria em abril resultou de crescimento em 10 setores e queda em 12. Na comparação com abril do ano passado a indústria cresceu 6,3%, apresentando aceleração sobre março (1,8%) e sobre a média do primeiro trimestre (3,8%). De janeiro a abril, em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento está em 4,5%, e em 12 meses, acumula alta de 7,5% (era 7,6% em março). "A produção neste início de ano está estabilizada em um patamar elevado, como mostram os índices de utilização da capacidade instalada da indústria (acima de 80%)", disse Sílvio Sales, coordenador de indústria do IBGE. Para Sales, em que pese terem apresentado queda de 0,3% em abril, na comparação com março, os bens de consumo duráveis , liderados por veículos, ainda estão comandando a produção industrial brasileira neste ano. Isso, segundo ele, decorre do bom desempenho das exportações desses bens, ainda não afetadas pela forte valorização do real em relação ao dólar e pela fartura de crédito para o consumo no mercado interno. Em abril, a produção de veículos cresceu 3,2% sobre março e 23,6% em comparação com abril do ano passado, fazendo com que os bens de consumo duráveis como um todo crescessem 17,8% nessa forma de comparação. Já a produção de eletrodomésticos recuou 2,8% em abril sobre março. Entre os bens de consumo semiduráveis e não-duráveis o crescimento foi negativo em 0,3% na série mensal dessazonalizada (terceira queda consecutiva nesta comparação e acumulando 4,4% neste período), mas foi positivo em 8,5% em relação a abril do ano passado. Os bens intermediários, liderados por segmentos como os de petróleo, açúcar e álcool, cresceram tanto na comparação mês a mês com ajuste (1,3%) como em relação ao mesmo mês de 2004 (3,8%). No primeiro quadrimestre deste ano os bens duráveis lideraram o crescimento da produção, com 13,5% sobre o primeiro quadrimestre do ano passado, seguido de semi e não-duráveis (6,2%), dos bens de capital (2,8%) e dos intermediários (2,1%). Os bens intermediários entraram em recuperação em abril graças, especialmente, à melhoria da produção de petróleo que vinha ruim no primeiro trimestre (menos 4%). "O BC (Banco Central) achava que a PIM (produção industrial mensal) podia subir um pouco e o mercado achava que ela podia cair um pouco: deu empate", diz a análise do economista Fernando Montero, da consultoria Convenção. Para ele, houve pouca novidade na abertura dos dados. "Duráveis em patamar elevado, bens de capital caindo, arrastados pela agricultura, intermediários e construção recuperando e interrogação com o fraco ritmo dos não-duráveis", resume. O economista Estêvão Kopschitz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também não vê novidades nos dados. "Vem desde agosto do ano passado no patamar que alcançou, com oscilações em torno do mesmo nível." O Ipea divulga hoje suas projeções para este ano. Kopschitz disse que o crescimento industrial será menor que o de 2004, quando passou de 8%, mas acima do patamar de 2,5% já alcançado até abril.