Título: Tucanos cearenses apóiam Luizianne para barrar Eunício
Autor: César Felício
Fonte: Valor Econômico, 20/10/2004, Política, p. A-8
Isolada no primeiro turno, a candidata do PT à Prefeitura de Fortaleza, Luizianne Lins, garantiu o apoio da maior parte das lideranças políticas do Estado no segundo turno da eleição na capital, contra o pefelista Moroni Torgan. A principal razão está no único cacique cearense que não apóia a petista, o ministro das Comunicações Eunício Oliveira, do PMDB. Evitar o fortalecimento de Eunício na sucessão estadual de 2006 é um objetivo comum do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), do governador Lúcio Alcântara (PSDB), do prefeito de Fortaleza Juraci Magalhães (PMDB), dos partidos de esquerda e do PPS. O pemedebista, aliado de primeira hora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, planeja candidatar-se ao governo do Estado dentro de dois anos. Oficialmente, Eunício declarou neutralidade entre Luizianne e Moroni, depois de um pedido do presidente para que não apoiasse o pefelista. Mas todo seu grupo político aderiu ao pefelista. O PFL no Ceará é uma legenda muito fraca e totalmente atrelada ao PMDB. A aliança dos dois partidos tem a idade da ida de Tasso Jereissati do PMDB para o PSDB. Em 1990, o PMDB apoiou o então pefelista Paulo Lustosa para governador. Em 1994, foi o PFL que apoiou o pemedebista Juraci Magalhães para o governo do Estado. Em 1998, foi a vez do pemedebista Gonzaga Mota ganhar o apoio. Em 2002, o nome do PMDB escolhido foi Sérgio Machado. Não há razão para achar que em 2006 a escrita será quebrada. Os dois partidos só não se uniram nas últimas eleições em Fortaleza porque existe uma briga interna no PMDB entre Juraci e Eunício. Na capital, quem manda na legenda é o prefeito. Ao romper com Tasso, de quem foi secretário de Segurança, Moroni teve que buscar no PFL o seu espaço político para concorrer à prefeitura. De acordo com um alto dirigente tucano no Ceará, a vitória de Luizianne Lins não faz a balança do jogo sucessório de 2006 pender para ninguém e até pode gerar dividendos para o projeto da reeleição do governador Lúcio Alcântara, já que Luizianne deverá trabalhar para que o PT tenha candidatura própria ao governo estadual, dividindo a oposição à esquerda do PSDB no Estado. Na eleição passada, o PT foi para o segundo turno contra Alcântara e quase ganhou as eleições, mas em uma frente unificada. O apoio tucano a Luizianne é silencioso e sem entusiasmo, mas decidido. O pior resultado para o grupo de Tasso seria um segundo turno em Fortaleza entre Moroni e Inácio Arruda (PC do B), o candidato preferido do Palácio do Planalto e do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Se Inácio ganhasse as eleições, ficaria fortalecida uma candidatura ao governo estadual do prefeito de Sobral e irmão de Ciro, Cid Gomes, pelo PPS. Taticamente aliados, os grupos de Ciro e Tasso já não se misturam. Nas cidades médias do interior do Ceará, o grupo do PSDB saiu-se razoavelmente bem. Apesar de perder a eleição nas grandes cidades da periferia de Fortaleza, com a vitória do PL em Maracanaú e do PMDB em Caucaia, ganhou a eleição em Juazeiro do Norte, na região do Cariri, onde tradicionalmente os tucanos têm dificuldades. O PSDB venceu em dez das 35 cidades que ficam entre 30 mil e 100 mil eleitores. O PPS teve sucesso em seis delas e o PMDB conseguiu ganhar em três.